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No Oregon (EUA), cientistas descobrem uma variante de coronavírus com uma mutação preocupante

terça-feira, 9 de março de 2021
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No Oregon (EUA), cientistas descobrem uma variante de coronavírus com uma mutação preocupante

Cientistas em Oregon, Estados Unidos, identificaram uma versão local de uma variante de rápida disseminação do coronavírus que apareceu pela primeira vez na Grã-Bretanha – mas esta tem uma mutação que pode tornar a variante menos suscetível a vacinas, originalmente relatada na África do Sul.

Os pesquisadores encontraram até agora apenas um único caso dessa combinação, mas a análise genética sugeriu que a variante havia sido adquirida na comunidade e não surgiu no paciente.

“Não importamos isso de nenhum outro lugar do mundo – ocorreu espontaneamente”, disse Brian O’Roak, geneticista da Oregon Health and Science University, que liderou o trabalho. Ele e seus colegas participam do esforço do Centro de Controle e Prevenção de Doenças para rastrear variantes e depositaram seus resultados em bancos de dados compartilhados por cientistas.

A variante originalmente identificada na Grã-Bretanha, chamada B.1.1.7, tem se espalhado rapidamente pelos Estados Unidos e é responsável por pelo menos 2.500 casos em 46 estados. Essa forma do vírus é mais contagiosa e mortal do que a versão original, e deve ser responsável pela maioria das infecções na América em poucas semanas.

A nova versão que surgiu em Oregon, mais especificamente na cidade de Portland, tem a mesma espinha dorsal da B.1.1.7, e a mutação que carrega – E484K, ou “Eek” – é vista em variantes do vírus que circulam na África do Sul, Brasil e Nova York.

Estudos de laboratório e ensaios clínicos na África do Sul indicam que a mutação Eek torna as vacinas atuais menos eficazes ao embotar a resposta imunológica do corpo. (As vacinas ainda funcionam, mas as descobertas são preocupantes o suficiente para que a Pfizer-BioNTech e a Moderna começassem a testar novas versões de suas vacinas destinadas a derrotar a variante encontrada na África do Sul.)

Leia também: "Quão eficazes serão as vacinas contra COVID-19" e "Variante do SARS-CoV-2 pode ser 56% mais transmissível".

A variante B.1.1.7 com Eek também surgiu na Grã-Bretanha, designada como uma “variante de preocupação” pelos cientistas. Mas o vírus identificado no Oregon parece ter evoluído de forma independente, disse o Dr. O’Roak.

O Dr. O’Roak e seus colegas encontraram a variante B.1.1.7 com Eek entre as amostras de coronavírus coletadas pelo Laboratório de Saúde Pública do Estado de Oregon em todo o estado, incluindo algumas de um surto em um ambiente de saúde. Dos 13 resultados de teste que analisaram, 10 acabaram sendo B.1.1.7 sozinha e um era a combinação.

Outros especialistas disseram que a descoberta não foi surpreendente, porque a mutação Eek surgiu em formas do vírus em todo o mundo. Mas a ocorrência da mutação na variante B.1.1.7 deve ser observada com atenção, eles disseram.

Na Grã-Bretanha, esta versão da variante é responsável por um pequeno número de casos. Mas quando a combinação evoluiu por lá, a B.1.1.7 já havia se espalhado pelo país.

“Estamos no ponto em que a B.1.1.7 está apenas sendo introduzida” nos Estados Unidos, disse Stacia Wyman, especialista em genômica computacional da Universidade da Califórnia, Berkeley. “À medida que evolui e se torna lentamente a coisa dominante, pode acumular mais mutações”.

As mutações virais podem aumentar ou enfraquecer umas às outras. Por exemplo, as variantes identificadas na África do Sul e no Brasil contêm muitas das mesmas mutações, incluindo Eek. Mas a versão brasileira tem uma mutação, K417N, que não está presente na versão sul-africana.

Em um estudo publicado na quinta-feira na Nature, os pesquisadores compararam as respostas dos anticorpos a todas as três variantes preocupantes – as identificadas na Grã-Bretanha, África do Sul e Brasil. Consistente com outros estudos, eles descobriram que a variante que atingiu a África do Sul é mais resistente aos anticorpos produzidos pelo sistema imunológico.

Mas a variante que circulava no Brasil não era tão resistente, embora carregasse a mutação Eek. “Se você tem a segunda mutação, não vê um efeito tão ruim”, disse Michael Diamond, imunologista viral da Universidade de Washington em St. Louis, que liderou o estudo.

É muito cedo para dizer se a variante do Oregon se comportará como a da África do Sul ou do Brasil. Mas a ideia de que outras mutações podem enfraquecer o efeito de Eek é “uma excelente notícia”, disse Wyman.

Acima de tudo, disse ela, a descoberta de Oregon reforça a necessidade de as pessoas continuarem a tomar precauções, como usar uma máscara, até que uma parte substancial da população seja imunizada.

“As pessoas não precisam pirar, mas continuar vigilantes”, disse ela. “Não podemos baixar a guarda ainda enquanto houver essas variantes mais transmissíveis circulando.”

Veja sobre "Como a COVID-19 domina o sistema imunológico" e "Uso de máscaras durante a pandemia de COVID-19".

 

Fonte: The New York Times, notícia publicada em 05 de março de 2021.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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