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Morre Thomas Starzl, médico pioneiro no transplante de fígado, aos 90 anos

segunda-feira, 6 de março de 2017
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Morre Thomas Starzl, médico pioneiro no transplante de fígado, aos 90 anos

Thomas Starzl (1926-2017) morreu este domingo, dia 5 de março de 2017, em sua casa, aos 90 anos. O pai do transplante hepático trabalhou em Denver, nos EUA, realizando mais de 200 transplantes em cães antes da tentativa do primeiro transplante em humanos.

A primeira técnica usada nos transplantes hepáticos foi a heterotópica, sendo o fígado do doador colocado no abdômen inferior e o fígado do receptor mantido em sua posição original. Este procedimento mostrou resultados insatisfatórios e a técnica foi abandonada em favor do procedimento ortotópico, no qual o fígado do doador substitui o órgão doente.

No início dos anos 1960, foram definidas as condições necessárias à realização dos primeiros transplantes clínicos de fígado, com a padronização da técnica de transplante, melhores resultados com os esquemas de imunossupressão que começavam a ser utilizados nos transplantes clínicos de rim e estímulo à realização do transplante, pela falta de qualquer alternativa de tratamento aos pacientes com doenças hepáticas graves.

No ano de 1963, em Denver, Thomas Starzl realizou o primeiro transplante ortotópico de fígado em humanos, utilizando como imunossupressores azatioprina, corticosteroides e globulina antilinfocitária. Nos quatro anos seguintes realizou um total de sete, sendo que nenhum dos pacientes sobreviveu mais que 23 dias.

O primeiro humano a ser submetido ao transplante ortotópico de fígado foi um garoto de 3 anos de idade que sofria de atresia de vias biliares. Ele morreu antes do término da operação em 1963. Thomas Starzl foi quem realizou a primeira cirurgia e relatou com detalhes a vida e a morte do paciente em seu livro Puzzle People.

Nos 10 anos seguintes, aproximadamente 200 transplantes de fígado foram realizados mundialmente, cerca de metade deles por Starzl. Os problemas técnicos relacionados à cirurgia no doador e no receptor começaram a serem solucionados durante este período.

Em 1967, Starzl obteve a primeira sobrevida de longo prazo. A receptora do fígado transplantado, uma menina de origem hispânica de um ano e sete meses de idade, portadora de câncer primário de fígado (colangiocarcinoma), sobreviveu pouco mais de um ano, falecendo por recidiva do tumor. Estava demonstrada a exequibilidade do transplante de fígado em humanos.

Em 1990, Starzl relatou o primeiro uso do novo imunossupressor tacrolimus em pacientes de transplante de fígado que apresentavam rejeição, mesmo com o tratamento imunossupressor convencional.

No Brasil, o primeiro transplante clínico de fígado foi realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em agosto de 1968, por Marcel Machado e sua equipe.

Hoje em dia, um dos maiores desafios da área do transplante de fígado é o número insuficiente de doadores para uma demanda crescente de candidatos a este procedimento.

Leia mais em "Como é o transplante de fígado?", "Cirrose hepática", "Hepatite C" e "Câncer de fígado"

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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