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Histerectomia pode ser fator de risco independente para diabetes

quinta-feira, 6 de outubro de 2022
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Histerectomia pode ser fator de risco independente para diabetes

Uma histerectomia precoce pode servir como um fator de risco independente para o desenvolvimento de diabetes no futuro, de acordo com um estudo de coorte francês.

Comparadas com mulheres com útero intacto, aquelas que foram submetidas à histerectomia tiveram um risco 20% maior de desenvolver diabetes tipo 2 incidente ao longo de 16 anos de acompanhamento, após ajuste para idade da menarca, status de menopausa e idade da menopausa, uso de dispositivos contraceptivos e terapia de reposição hormonal, e número de gestações, disse Fabrice Bonnet, MD, PhD, do Centre Hospitalier Universitaire de Rennes, na França.

No entanto, quando analisadas por idade na histerectomia, esse risco elevado de diabetes parecia se aplicar apenas a mulheres que fizeram uma histerectomia antes dos 50 anos, explicou ele durante uma apresentação na reunião anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD).

“A histerectomia é um fator de risco para diabetes futuro”, observou Bonnet. “Devemos ter como alvo as mulheres com histerectomia precoce porque elas correm maior risco”.

Além da idade, a ooforectomia foi outro fator que parecia contribuir para o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Especificamente, as mulheres que se submeteram a uma histerectomia isolada – preservando os ovários – tiveram apenas um risco de diabetes ligeiramente maior do que mulheres sem histórico de histerectomia ou ooforectomia.

Mas quando a histerectomia foi realizada com ooforectomia, as mulheres viram um risco significativamente maior de diabetes incidente.

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Adicionalmente, as mulheres que se submeteram a uma histerectomia também tenderam a apresentar sintomas depressivos mais graves do que aquelas que não o fizeram. Bonnet sugeriu que a depressão poderia ser um fator mediador entre os dois, pois tem sido associada tanto à histerectomia quanto ao diabetes.

Os sintomas de depressão grave foram definidos como uma pontuação de 23 ou superior no questionário Center for Epidemiologic Studies Depression Scale Revised (CES-D). Das mulheres sem história de histerectomia, 10,4% relataram sintomas depressivos graves versus 12,5% daquelas que realizaram histerectomia.

Outro fator mediador poderia ser a redução da função ovariana, resultando em menos secreção de estrogênio e hormônio anti-mulleriano após a histerectomia. “Muitas evidências sugerem um papel protetor para a secreção ovariana em relação ao risco de diabetes tardia”, observou Bonnet.

O resumo do estudo foi publicado na revista Diabetologia e avalia o risco de diabetes incidente após histerectomia.

Os pesquisadores contextualizam que a histerectomia tem sido associada ao risco de hipertensão e doença cardiovascular, mas poucos estudos examinaram a relação entre a histerectomia e o risco de diabetes tipo 2. Esses estudos incluíram principalmente mulheres na pós-menopausa. Além disso, a potencial influência da dieta e atividade física não foi abordada em relatórios anteriores.

O objetivo desse estudo foi investigar se a histerectomia estava associada a um risco aumentado de diabetes incidente em uma grande coorte francesa de mulheres. Além disso, buscou-se examinar se um estilo de vida pouco saudável influenciou o risco de diabetes entre mulheres que fizeram histerectomia.

Estudou-se 81.144 mulheres da coorte E3N que estavam livres de diabetes no início do estudo; elas foram acompanhadas por uma média de 16,4 anos. A avaliação da dieta e da atividade física foi feita por meio de questionário. Mulheres com câncer ginecológico foram excluídas das análises.

Modelos de risco proporcional de Cox com idade como escala de tempo foram usados para estimar as Razões de Risco (HR) e intervalos de confiança (IC) de 95%. As co-variáveis incluíram nível educacional, atividade física, tipo de dieta, índice de massa corporal, tabagismo, história familiar de diabetes, idade da menarca, status de menopausa, idade da menopausa e uso de contraceptivos orais.

Um total de 4.367 mulheres desenvolveram diabetes tipo 2 durante o acompanhamento. Mulheres com história de histerectomia apresentaram risco aumentado de diabetes incidente, que persistiu após ajuste para os principais fatores de confusão (HR ajustado = 1,18, IC 95% 1,10-1,27, p <0,0001).

A associação não foi alterada após ajustes adicionais para fatores reprodutivos ou tratamentos hormonais. O tipo de dieta e o nível de atividade física não modificaram a associação com diabetes incidente.

Observou-se aumento do risco de diabetes independentemente da causa da histerectomia; para mulheres que fizeram histerectomia por endometriose ou miomas (HR ajustado = 1,19, IC 95% 1,11-1,28).

Não houve interação entre a presença de sobrepeso no início do estudo (IMC ≥25 kg/m²) e um risco aumentado de diabetes.

A histerectomia com (HR: 1,23, IC 95% 1,13-1,35, p <0,001) e sem ooforectomia (HR: 1,13, IC 95% 1,03-1,25, p = 0,013) foram ambas associadas a um risco aumentado de diabetes.

O risco de diabetes incidente foi maior para mulheres que fizeram histerectomia antes dos 50 anos: antes dos 40 anos (HR ajustada: 1,27, IC 95% 1,07-1,50, p = 0,006); entre 40 e 50 anos (HR ajustada: 1,27, IC 95% 1,16-1,40, p <0,0001); após os 50 anos (HR ajustada: 1,06, IC 95% 0,95-1,18, p = 0,28) em comparação com aquelas sem histerectomia nessas faixas etárias.

Esses resultados mostram que as mulheres que fizeram uma histerectomia antes dos 50 anos de idade tiveram um risco aumentado de desenvolver diabetes incidente. Este risco elevado parece ser independente da ooforectomia e não é explicado por uma dieta pouco saudável ou inatividade física.

Os mecanismos subjacentes que levam ao diabetes entre essas mulheres ainda precisam ser elucidados.

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Fontes:
Diabetologia, publicação em 03 de agosto de 2022.
MedPage Today, notícia publicada em 22 de setembro de 2022.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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