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Gripe aviária: países desejam combater o pânico que poderá ser ocasionado pela falta de informação da população

quarta-feira, 26 de outubro de 2005
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Gripe aviária: países desejam combater o pânico que poderá ser ocasionado pela falta de informação da população

Recentemente, países participantes de uma conferência que tratou da ameaça de alastramento mundial para humanos do vírus da gripe aviária decidiram implementar uma série de ações para evitar o pânico e a perturbação social causadas pela falta de informação.

Entre os preparativos, devem ser prioridade os planos nacionais de comunicação, o estabelecimento de procedimentos para troca de informações antes e durante uma possível pandemia, pesquisas sobre a necessidade de abordagens específicas e a criação de uma parceria com a mídia para a divulgação de dados sobre a influenza.

Atualmente, os países lidam com a infecção de aves pelo vírus H5N1 e 120 casos de pessoas atingidas por ele. O vírus tem se mostrado pouco adaptado para invadir o corpo humano. Mas, precavendo-se de possíveis mutações, a comunidade internacional vem discutindo ações para evitar o que se denomina pandemia de gripe ou influenza, quando, em larga escala, a população poderia ser afetada.

Influenza, ou gripe, é uma infecção viral aguda do sistema respiratório, causada pelo vírus influenza, de distribuição global e elevada transmissibilidade. A influenza e suas complicações (principalmente as pneumonias) são responsáveis por um volume significativo de internações hospitalares no país. Clinicamente, a doença inicia-se com a instalação abrupta de febre alta, em geral acima de 38º, seguida de mialgia, dor de garganta, prostração, dor de cabeça e tosse seca. A febre é o sintoma mais importante e dura em torno de três dias. Com a sua progressão, os sintomas respiratórios tornam-se mais evidentes e mantém-se em geral por três a quatro dias após o desaparecimento da febre.

Os vírus influenza são compostos de RNA de hélice única, da família dos Ortomixovírus e subdividem-se em três tipos: A, B e C, de acordo com sua diversidade antigênica. Os vírus podem sofrer mutações (transformações em sua estrutura). Os tipos A e B causam maior morbidade (doença) e mortalidade (mortes) que o tipo C. Geralmente as epidemias e pandemias estão associadas ao vírus influenza A. As principais características do processo de transmissão da influenza são: alta transmissibilidade, principalmente em relação à influenza A; maior gravidade entre os idosos, as crianças, os imunodeprimidos, os cardiopatas e os pneumopatas; rápida variação antigênica do vírus influenza A, o que favorece a rápida reposição do estoque de susceptíveis na população; apresenta-se como zoonose entre aves selvagens e domésticas, suínos, focas e eqüinos que, desse modo, também constituem-se em reservatórios dos vírus. Outras informações podem ser encontradas no Guia de Vigilância Epidemiológica da Influenza/Ministério da Saúde.

É importante destacar que os sintomas da Gripe muitas vezes se assemelham aos do Resfriado. Este caracteriza-se pela presença de sintomas relacionados ao comprometimento das vias aéreas superiores, como congestão nasal, rinorréia, tosse, rouquidão, febre variável, mialgia, cefaléia. O quadro geralmente é brando, de evolução benigna (2 a 4 dias), mas podem ocorrer complicações como otites, sinusites e bronquites, e quadros graves , de acordo com o agente etiológico em questão. Tem como principal agente causal os Rhinovírus (mais de 100 sorotipos), embora também seja comumente causado pelo vírus Parainfluenza, Coronavírus, Vírus Sincicial Respiratório, Adenovírus, Enterovírus.

Há ainda outros agentes infecciosos, que podem causar sintomas respiratórios que simulam o quadro de resfriado, como Clamydia pneumoniae e Mycoplasma pneumoniae, Streptococcus sp. E agravos não infecciosos: uma série de condições apresentam os principais sintomas de resfriado (tosse, congestão nasal, rinorréia, rouquidão e dor de garganta), a saber: a rinite alérgica (mais comum); a polipose nasal, a rinite atrófica, as alterações do septo nasal e a presença de corpo estranho em cavidade nasal.


Plano contra gripe aviária prevê a compra de 9 milhões de doses de medicamento

As primeiras medidas do plano para conter a epidemia da influenza (gripe) serão a compra de 9 milhões de doses do medicamentos Tamiflu, do Laboratório Roche, e o estudo da produção da vacina contra o vírus da gripe aviária (ou gripe do frango), H5N1, no Brasil.

Segundo o ministro da Saúde, Saraiva Felipe, o Brasil se prepara nas áreas de saúde pública e de segurança avícola. "É preciso uma ação conjunta com o Ministério da Agricultura porque, apesar de o Brasil, não importar carne de frango, o vírus pode chegar ao país por meio de aves migratórias".

O ministro ressaltou ainda que autoridades sanitárias de todo o mundo se preocupam com a possibilidade de o vírus sofrer uma mudança no código genético e passar a ser transmitido de ser humano para ser humano, o que ainda não ocorre.

De 2003 até agora, 117 pessoas morreram por causa do vírus da gripe aviária, após terem tido contato com aves contaminadas em granjas.

Confira informações sobre a gripe divulgadas especificamente para profissionais

Agente Etiológico
O vírus da Influenza é da família dos Ortomixovírus e é composto de uma estrutura de RNA de hélice única. Subdivide-se em três tipos: " A" , "B" e "C", segundo sua diversidade antigênica. São altamente contagiosos e mutáveis, sendo o do tipo "A", o mais suscetível à mutabilidade. Os vírus do tipo A e B causam maior morbidade e mortalidade que o tipo "C", e são os de maior destaque para a saúde pública.

Reservatório
Os três tipos de vírus acometem humanos. O tipo "C" também infecta suínos e o do tipo "A", além de humanos e suínos, aparece em cavalos, mamíferos marinhos e em aves.

Modo de Transmissão
A transmissão ocorre pelas vias respiratórias, quando indivíduos infectados emitem pequenas gotas de aerossol ao espirrar, falar ou tossir. Pode também ocorrer transmissão direta a partir de aves e suínos.

Período de Incubação
1 a 4 dias.

Período de Transmissibilidade
Até dois dias antes e até cinco dias após o aparecimento dos sintomas.

Diagnóstico Diferencial
O diagnóstico diferencial da influenza inclui uma grande variedade de infecções respiratórias agudas de causas virais. Algumas se destacam, como a provocada pelo Vírus Sincicial Respiratório e pelo Adenovírus. O quadro sintomático na influenza é mais intenso que em outras infecções, porém, em muitos casos, o diagnóstico diferencial apenas clínico torna-se difícil.

Diagnóstico Laboratorial
A coleta, transporte, processamento e armazenamento são fundamentais no diagnóstico da infecção viral. Duas técnicas são utilizadas para o diagnóstico da influenza: a reação de imunofluorescência indireta e cultura para isolamento viral. No caso do vírus do tipo "A", é essencial que seja feito uma tipagem completa para que ele seja introduzido na composição anual da vacina do hemisfério sul.

A imunofluorescência indireta é realizada em laboratórios estaduais que utilizam um painel que indica a presença da influenza e de outros dois vírus respiratórios (vírus sincicial respiratório e adenovírus). A cultura é realizada somente para os casos de infecção do vírus Influenza, em um dos três laboratórios de referência nacional (Instituto Evandro Chagas/ FUNASA, Fiocruz/MS e Instituto Adolfo Lutz/SP), que também fazem a caracterização antigênica inicial, completada nos laboratórios de referência internacional da Organização Mundial de Saúde. As amostras clínicas devem ser coletadas até três dias do início dos sintomas para um melhor êxito no diagnóstico.

Tratamento
No estágio agudo da doença, repouso e uma boa hidratação são as principais recomendações. Os medicamentos antipiréticos podem ser utilizados, com especial atenção ao Ácido Acetil Salicílico, que não é aconselhável para crianças. Medidas de suporte intensivo serão necessárias em caso de complicações severas nos pulmões, a fim de evitar possíveis casos de pneumonia.

Vigilância Epidemiológica
Uma rede de unidades sentinelas, localizadas nas cinco macro-regiões brasileiras, é responsável pela vigilância de casos de infecção pelo vírus Influenza. Semanalmente, são coletadas amostras clínicas para efetuar exames laboratoriais e informados os atendimentos de Síndrome Gripal.

Os casos são separados em três categorias. Casos suspeitos são de pessoas em estágio agudo da doença, com duração máxima de cinco dias com febre e pelo menos um sintoma respiratório, com ou sem outros sintomas. Confirmados são os identificados por exames laboratoriais. E descartados são os que têm resultado de exame negativo, em amostra colhida e transportada de forma correta ou se identificado laboratorialmente outro agente causador.

Notificação
A notificação da doença não é compulsória. Os dados das unidades sentinelas são informados por meio do Sistema de Informação da Vigilância da Influenza (SIVEP - Gripe) pela web. No entanto, as suspeitas de surtos deverão ser informadas à Secretaria Estadual de Saúde e à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

Fonte: Ministério da Saúde
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Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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