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Fiocruz: ômega 3 e mangiferina podem ser boas alternativas na prevenção e no controle da asma

quinta-feira, 25 de setembro de 2014
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Fiocruz: ômega 3 e mangiferina podem ser boas alternativas na prevenção e no controle da asma

Estudos realizados no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), pelos pesquisadores Marco Aurélio Martins e Patrícia Silva investigam alternativas para o alívio dos sintomas da asma. O uso preventivo da mangiferina (substância com propriedades anti-inflamatórias e antiespasmódicas presente na casca de árvores como a mangueira) e do ômega 3 (ácido graxo essencial encontrado em peixes como o atum e o salmão) podem ajudar no controle e na prevenção da asma, com resultados da etapa de testes com animais publicados recentemente na revista científica Plos One.

A pesquisadora Patrícia Silva estuda os efeitos protetores do ômega 3 em camundongos. Os animais foram separados em dois grupos: o primeiro foi alimentado com uma ração cuja fonte de lipídio foi substituída pelo óleo de peixe, fonte de ômega 3. O outro foi alimentado com ração normal. Após quatro semanas, os dois grupos foram expostos à albumina do ovo, proteína reconhecida como antígeno pelo sistema imune dos camundongos, provocando reações imunológicas (desafio alérgico). Nos testes com os animais, a albumina foi aspirada e, por isso, deflagrou a resposta alérgica específica da asma. Nos animais alimentados com ômega 3, a crise alérgica foi minimizada em 60% em comparação ao outro grupo. Houve redução da produção de muco, do infiltrado inflamatório e da contração dos brônquios, decorrentes da migração de eosinófilos para as vias aéreas. Houve, ainda, menor depósito de componentes de matriz extracelular em torno dos brônquios. Este fenômeno visa reparar as lesões sofridas pelos dutos de ar durante uma crise, mas, a longo prazo, é responsável pelo enrijecimento das vias aéreas e, consequentemente, o agravamento da doença, esclarece a especialista. Além disso, a produção dos anticorpos anafiláticos, como o IgE e o IgG1 – este último específico dos camundongos – foi reduzido a 80%. “É um efeito cascata: tratando os animais de forma preventiva com ômega 3, reduzimos a sensibilização contra os antígenos, fazendo com que eles produzissem menos anticorpos, inibindo todas as etapas do ciclo alérgico”, destacou a pesquisadora. O estudo foi realizado em parceria com as pesquisadoras Márcia Águila e Thereza Bargut do Laboratório de Morfometria, Metabolismo e Doenças Cardiovasculares da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A explicação é simples: quando o ômega 3 é processado metabolicamente pelo corpo, gera mediadores lipídicos menos inflamatórios – e são estes mediadores que vão participar da resposta imunológica.

Outro estudo em andamento é do chefe do Laboratório de Inflamação do IOC, Marco Aurélio Martins, que estuda um grupo especial de asmáticos portadores de diabetes. Um dos efeitos colaterais do corticoide, anti-inflamatório esteroidal utilizado para debelar crises, é a desregulação metabólica, agravando o quadro da diabetes. O pesquisador iniciou estudos sobre a mangiferina, um composto extraído da casca do tronco da mangueira. Comumente utilizada como fitoterápico no Caribe contra agravos de diferentes ordens, a substância não apresenta efeitos colaterais conhecidos. Estudos realizados por pesquisadores em Cuba apontaram sua eficácia como antioxidante, protetor do aparelho gástrico, anti-inflamatório e anti-diabetogênico. A mangiferina também é usada contra asma, câncer e doenças da pele.

Na primeira etapa da pesquisa, Martins utilizou sistemas de órgão isolado, testando o composto em anéis de traqueias de cobaias asmáticas. A mangiferina foi administrada e, em seguida, os sistemas de órgão isolado foram expostos a antígenos, com a finalidade de provocar uma reação alérgica. Equipamentos especiais conseguiram registrar que a contração foi menor nos sistemas tratados com o composto. Na etapa seguinte, foram utilizados modelos experimentais de camundongos, que receberam mangiferina por via oral antes de serem submetidos ao desafio alérgico. Assim como no estudo com o ômega 3, o infiltrado inflamatório não ocorreu no grupo que havia tomado a mangiferina. “Foi observado um quadro muito atenuado, no qual a mangiferina exerceu o papel de agente anti-inflamatório e de broncodilatador, prevenindo a crise”, explica Martins. De acordo com o pesquisador, isso acontece porque a substância estimula a produção de óxido nítrico pelas células epiteliais que ‘pavimentam’ as vias aéreas. Isso leva a um aumento de GMP cíclico, sinalizador responsável por bloquear a entrada de cálcio nas células. “A contração muscular depende principalmente dos níveis de cálcio dentro das células. Se a concentração é baixa, a musculatura lisa relaxa. A mangiferina ajuda a manter a musculatura relaxada e, consequentemente, menos hiperreativa aos estímulos”, assinala. “No estudo, mostramos, de forma inédita, os mecanismos pelos quais a mangiferina inibe o espasmo, a contração e a inflamação do músculo respiratório liso, componentes principais da doença asmática. Agora, estamos nos preparando para avaliar se ela age, simultaneamente, contra os sintomas da diabetes e da asma em camundongos acometidos pelos dois agravos”, antecipa.

Ambos os pesquisadores planejam investigar o potencial do ômega 3 e da mangiferina enquanto medidas profiláticas, ou seja, como prevenção para crises asmáticas.

Fonte: Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), de 22 de setembro de 2014

Veja a reportagem completa em:

Ômega 3 e magiferina podem ser aliados na prevenção e no controle da asma

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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