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Câncer de próstata é descoberto tarde em 31% dos casos

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005
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Câncer de próstata é descoberto tarde em 31% dos casos
Quase um terço (31%) dos homens com câncer de próstata atendidos no sistema público de saúde do Estado de São Paulo tem a doença diagnosticada em estado avançado ou já atingindo outras partes do corpo. Na rede privada ou conveniada, o índice de detecção tardia é 21%.

Os dados constam do primeiro estudo sobre câncer da próstata já realizado no Brasil, envolvendo 110 urologistas paulistas (cerca de 10% do total) e 1.915 pacientes que procuraram os serviços de saúde (públicos e privados) em diferentes estágios da doença. Mais da metade dos pacientes pesquisados (57%) teve que sair da sua cidade de origem para conseguir o atendimento.

Detectado em estágio inicial, há 90% de chances de cura. Quando a doença ultrapassa os limites da próstata, o índice cai para, no máximo, 30%. Dos pesquisados, 53,5% foram atendidos no SUS; 37% por planos de saúde e 9% na clínica particular. A idade média foi de 67,4 anos.

Uma das surpresas do estudo foi o fato de a doença predominar entre indivíduos brancos (85,2%). Nos EUA, os negros são os mais atingidos. Em compensação, a doença tende a ser mais agressiva entre os pacientes de cor negra em comparação aos brancos (47,2% contra 40,8%).

O preconceito contra o exame de toque retal, que dura entre 5 e 7 segundos, é um dos fatores que faz com que o homem brasileiro perca a batalha contra o câncer de próstata. A mortalidade desta doença aumentou cerca de 10% no estado de São Paulo entre 1999 e 2002. No biênio 1999-2000, a mortalidade da doença atingia 10,6% para cada 100 mil habitantes do estado. Entre 2001-2002, essa taxa subiu para 11,7%, ficando atrás apenas das mortes por tumores pulmonares e gástricos.

Nos Estados Unidos, a mortalidade do tumor de próstata cai em média 4% ao ano, enquanto a incidência sobe 2% no mesmo período. Em 2005, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) prevê que cerca de 46.330 homens serão vítimas do câncer de próstata no Brasil. No estado de São Paulo, são estimados 13.020 novos casos da doença, sendo que 4.230 só na capital. As estimativas apontam que a incidência de casos será este ano de 65,7 casos por 100 mil homens em todo o estado e de 77,9 casos por 100 mil homens na capital.

O exame de toque retal com suspeita de anomalia aliado ao teste de dosagem de PSA (uma enzima típica das células da próstata) com resultado acima de 4 é capaz de detectar 80% dos casos de câncer. Quando o toque retal é normal e o teste de PSA fica entre 0 e 4, o nível de detecção do câncer de próstata fica entre 17% e 21%. Se o toque retal aponta anormalidade na glândula e o PSA também está entre 0 e 4, o nível de detecção sobe para o patamar entre 41% e 72%.

O aumento dos casos de câncer de próstata está diretamente ligado ao envelhecimento da população. Entre os homens até 50 anos, 30% têm chance de ter a doença. Entre os homens com mais de 80 anos, a chance sobe para 80%. Para evitá-lo, é preciso ter qualidade de vida, uma dieta saudável e exercícios físicos. Há indicações de que o licopeno, substância presente no tomate e na casca da uva, pode ajudar a proteger contra a doença, mas ainda faltam comprovações científicas para isso.

Quando a doença está no início, ela é completamente assintomática. Por isso a recomendação dos médicos é que os homens façam exames anuais de toque retal a partir de 35 anos. Em estado avançado, o câncer de próstata pode provocar dor nos ossos (as principais metástases deste tipo de tumor ocorre nos ossos e nos pulmões), sangramento uretral e obstrução do fluxo de urina.

Fonte: Sociedade Brasileira de Urologia
Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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