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Campanha para a eliminação da hanseníase: Brasil ocupa o 6º lugar em número de pessoas infectadas

quarta-feira, 9 de novembro de 2005
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Campanha para a eliminação da hanseníase: Brasil ocupa o 6º lugar em número de pessoas infectadas
As manchas na pele surgem lentamente e são facilmente confundidas com micoses. Mas, aos poucos, aqueles pontinhos brancos ou avermelhados vão ganhando maiores proporções. Os cremes não solucionam o problema e só então o médico, que deveria ser a primeira opção para o paciente, é procurado.

Depois de alguns exames, surge o diagnóstico: hanseníase. O relato é um dos indícios de que a falta de informação e o preconceito dificultam o diagnóstico precoce e o rápido controle da doença. Conforme estabelecido pela Organização Mundial da Saúde, a OMS, quando se tem a prevalência de mais de um caso por grupo de 10 mil habitantes, a hanseníase é considerada um problema de saúde pública. No Brasil, há 1,71 casos. O país ocupa o 6º lugar no mundo em número de pessoas infectadas. A lista é liderada por Madagascar com 2,4.

O que é?

A hanseníase é uma doença infecciosa causada por uma bactéria (bacilo) que atinge a pele e os nervos. A forma de contágio mais comum da doença é de pessoa para pessoa, pela via aérea, por pessoas infectadas e que não estejam em tratamento. Ao falar, tossir ou espirrar, o portador da hanseníase pode expelir a bactéria.

Quais os sintomas?

Surgem manchas brancas ou placas avermelhadas na pele, com clara alteração na sensibilidade ao calor e ao frio, ou seja, no local das manchas não se sente dor. Há ainda sensação de queimação e de dormência, formigamentos nas mãos e pés, caroços ou inchaços na orelha e no rosto. O que muita gente não sabe é que a doença tem cura. Com o diagnóstico rápido, as possibilidades de cura sem seqüelas são grandes.

Como tratar?

O tratamento é feito facilmente com coquetéis de antibióticos. São três comprimidos, durante seis meses a um ano, dependendo da quantidade de bacilos e lesões que exista no paciente. Desde a primeira dose do tratamento elimina-se, em média, 90% da carga de bacilo causador da doença. Com isso, reduz-se consideravelmente a possibilidade de transmissão da doença. É importante que a medicação não seja interrompida nem mesmo com a melhora dos sintomas.

Qual a meta do Brasil?

Até o final de 2005, o Ministério da Saúde pretende reduzir para um caso para cada 10 mil habitantes. Para atingir essa meta, o orçamento deste ano para as ações de combate à doença é de R$ 13,1 milhões, quase duas vezes maior do que o de 2004, que foi de R$ 7 milhões.

O que o SUS tem feito?

O Programa Nacional de Eliminação da Hanseníase, a cada ano, traça estratégias para chegar à eliminação da doença como problema de saúde pública. Para isso, segundo a coordenadora nacional do programa, Rosa Castália, o primeiro desafio foi desenvolver um bom sistema de informação no país, que fosse capaz de registrar todos os novos casos no país, o número de pessoas tratadas e a taxa de abandono do tratamento. Na posse desses dados, foi identificado que 70% dos novos casos se encontravam na região da Amazônia Legal. Diante disso, a estratégia adotada foi a descentralização do atendimento no SUS, para que pudesse colocar perto das pessoas o diagnóstico e ao tratamento. O terceiro desafio foi o treinamento das equipes de saúde para se chegar ao diagnóstico precoce na tentativa de reduzir as incapacidades físicas decorrentes da doença.

Cuidados que o portador da hanseníase deve ter

Olhos - Repare se você tem, permanentemente a sensação de estar com areia nos olhos, a visão embaçada ou ressecada de repente, ou se tem piscado mais que o normal. Pode ser um pequeno nervo dos olhos afetado pela doença.
O que fazer - Observe se há ciscos e limpe com soro. Se está difícil fechar os olhos, exercite-os, forçando o músculo ao abrir e fechar.

Nariz - Se sente que o nariz tem ficado entupido com freqüência, se têm aparecido cascas ou sangramentos súbitos, se tem sentido cheiro ruim, o osso do nariz pode ter sido atingido pela doença.
O que fazer - Limpe o nariz com soro fisiológico, inspirando e expirando. Nunca arranque as casquinhas.

Mãos e braços - Se nota dor ou formigamento, choque ou dormência nas mãos, braços e cotovelos ou se as mãos ficam inchadas e com dificuldade de sustentar os objetos, fique atento.
O que fazer - Faça repouso do braço afetado, evite os movimentos repetitivos e não carregue objetos pesados. Procure o serviço de saúde. Use óleos ou cremes para evitar ressecamento.

Pés - Se sente dor e câimbras nas pernas, fraqueza nos pés, formigamento ou choque; se surgem muitas feridas, calos ou bolhas, é sinal de que o nervo foi atingido. Por isso, a pele resseca e o pé fica fraco.
O que fazer - Fique em repouso e ande calçado apenas quando necessário. Procure o médico. Regiões esbranquiçadas e insensíveis na pele são um sinal da doença.

Fonte: Ministério da Saúde
Tele hansen: 0800-262001
Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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