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Apneia do sono pode desempenhar um papel no risco de doenças cardiovasculares

segunda-feira, 4 de julho de 2022
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Apneia do sono pode desempenhar um papel no risco de doenças cardiovasculares

Em uma nova pesquisa apresentada na Reunião Anual de 2022 da Associated Professional Sleep Societies (SLEEP), os pesquisadores fornecem uma visão geral do impacto da apneia obstrutiva do sono (AOS) e da sonolência diurna no aumento do risco de doença cardiovascular aterosclerótica, sugerindo que a apneia do sono pode prever um risco aumentado de eventos cardiovasculares adversos maiores futuros.

Liderado por uma equipe de pesquisadores do Brasil e dos EUA, os resultados do estudo fornecem evidências que detalham uma ligação biológica entre pacientes excessivamente sonolentos e maior risco de doenças e eventos cardiovasculares.

Leia sobre "Apneia do sono" e "Doenças cardiovasculares".

Os investigadores, liderados por Érique José Farias Peixoto de Miranda, PhD, da divisão de ensaios clínicos do Instituto Butantan em São Paulo, analisaram o papel da AOS e características clínicas associadas na prevalência, incidência e progressão para doença do cálcio arterial coronariano (CAC) em uma coorte de participantes do Estudo Longitudinal Brasileiro de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) de 2008 a 2013.

“Evidências recentes sugerem que pacientes sintomáticos com AOS são suscetíveis a eventos cardiovasculares”, escreveram eles. “O desenvolvimento da aterosclerose é um mecanismo plausível, mas o impacto da AOS na aterosclerose não é claro”.

Participantes consecutivos do ELSA-Brasil foram submetidos a avaliações do sono, incluindo questionários, actigrafia e estudos domiciliares do sono. Todos os participantes tiveram escores de CAC medidos usando uma tomografia computadorizada com multidetectores de 64 cortes.

A aterosclerose subclínica prevalente foi definida como um escore de CAC >0 na linha de base. A aterosclerose subclínica incidente foi definida como CAC inicial = 0 seguido por CAC >0 em uma consulta de acompanhamento de 5 anos. A progressão do CAC foi definida como CAC inicial >0 seguido por um aumento nos escores no acompanhamento.

A associação entre AOS (índice de apneia-hipopneia ≥15 eventos/h) e prevalência, incidência e progressão da aterosclerose subclínica foi avaliada por meio de regressão logística, ajustada por fatores de risco cardiovascular relevantes. Análises estratificadas com base na sonolência diurna excessiva (SDE) foram realizadas.

Analisou-se 1.956 participantes com escores de CAC disponíveis no início do estudo (idade: 49±8 anos; 57,9% mulheres; 28,2% com AOS).

Foi encontrada maior prevalência de aterosclerose subclínica em pacientes com AOS (31,3%) em comparação com aqueles sem AOS (19,0%; p <0,001).

Em análises longitudinais (n = 1.247, acompanhamento médio: 5,1±0,9 anos), foi encontrada uma associação significativa entre AOS e incidência de aterosclerose subclínica entre aqueles que relataram SDE após ajuste para covariáveis (OR=1,97; IC 95%: 1,09-3,55; p = 0,024).

Além disso, a análise da progressão do CAC (n = 319) demonstrou que tanto AOS (β = 1,08; IC 95%: 0,03-2,14; p = 0,043) quanto AOS com SDE (β = 1,66; IC 95%: 0,23-3,04; p = 0,019) foram significativamente associadas à progressão da aterosclerose.

O estudo concluiu que a apneia obstrutiva do sono, particularmente com sonolência diurna excessiva, prediz a incidência e progressão da aterosclerose subclínica, um marcador validado de eventos cardiovasculares futuros.

Esses resultados forneceram plausibilidade biológica para o maior risco cardiovascular observado em pacientes excessivamente sonolentos.

Veja também sobre "Como é o sono e quais os principais transtornos do sono" e "Aterosclerose".

 

Fontes:
SLEEP 2022, apresentação em 07 de junho de 2022.
Practical Cardiology, notícia publicada em 11 de junho de 2022.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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