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Vacina contra malária que combina parasita com tratamento se mostra promissora

sexta-feira, 30 de julho de 2021
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Vacina contra malária que combina parasita com tratamento se mostra promissora

Um novo tipo de vacina contra a malária envolve injetar nas pessoas o parasita da malária e, alguns dias depois, dar-lhes um medicamento que mata os patógenos. A abordagem mostrou resultados promissores em um teste em estágio inicial, descrito em estudo publicado na revista Nature.

A malária, uma doença infecciosa transmitida por mosquitos, é um dos maiores problemas de saúde pública do mundo, sendo particularmente mortal para crianças pequenas na África. Atualmente, o declínio global da malária estagnou, enfatizando a necessidade de vacinas que induzam imunidade esterilizante durável.

Já existe uma vacina disponível, chamada Mosquirix, que funciona injetando em pessoas uma molécula encontrada na superfície do parasita. Mas sua eficácia diminui com o tempo, caindo para cerca de 5% após sete anos.

Leia sobre "Vacinas - como funcionam e quais são os prós e contras" e "Conhecendo a malária".

Alguns grupos estão trabalhando em uma vacina melhorada semelhante à Mosquirix, que produziu resultados positivos em abril de 2021. Mas Patrick Duffy do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e seus colegas se questionaram sobre uma abordagem alternativa: injetar o parasita completo nas pessoas e, em seguida, dar rapidamente um remédio para malária para impedir que adoeçam.

Eles tentaram dois medicamentos antimaláricos diferentes e doses diferentes do parasita em um pequeno estudo de “desafio humano”, no qual as pessoas são vacinadas e, três meses depois, deliberadamente expostas ao parasita da malária para ver se desenvolvem a doença.

O estudo descreve como os pesquisadores otimizaram regimes para vacinação de quimioprofilaxia [VacQ], para os quais esporozoítos de Plasmodium falciparum [PfSPZ] assépticos, purificados, criopreservados e infecciosos foram inoculados sob cobertura profilática com pirimetamina [PIR] (Sanaria PfSPZ-VacQ (PIR)) ou cloroquina [CQ] (PfSPZ-VacQ (CQ)) – que matam parasitas em estágio de fígado e sangue, respectivamente – e avaliaram a eficácia da vacina contra infecção controlada por malária em humanos [ICMH] homóloga (ou seja, a mesma cepa) e heteróloga (uma cepa diferente) três meses após a imunização.

Foi relatado que um aumento de quatro vezes na dose de PfSPZ-VacQ (PIR) de 5,12 × 104 para 2 × 105 PfSPZs transformou uma eficácia vacinal mínima (dose baixa, dois de nove (22,2%) participantes protegidos contra ICMH homóloga), para uma eficácia vacinal de alto nível, com sete de oito (87,5%) indivíduos protegidos contra ICMH homóloga e sete de nove (77,8%) protegidos contra ICMH heteróloga.

O aumento da proteção foi associado a respostas de células T Vδ2 γδ e de anticorpos.

Na dose mais alta, PfSPZ-VacQ (CQ) protegeu seis de seis (100%) participantes contra ICMH heteróloga três meses após a imunização.

Todos os participantes de controle de infectividade homóloga (quatro em quatro) e heteróloga (oito em oito) apresentaram parasitemia.

PfSPZ-VacQ (CQ) e PfSPZ-VacQ (PIR) induziram uma eficácia vacinal durável e estéril contra uma cepa sul-americana heteróloga de P. falciparum, que tem um genoma e um imunoma de células T CD8 previsto que difere mais fortemente da cepa da vacina africana do que outras cepas de P. falciparum africanas analisadas.

Assim, o estudo mostrou que, quando se utilizou o antimalárico pirimetamina e uma alta dose de vacina do parasita, sete em cada oito pessoas ficaram protegidas contra o adoecimento, se a mesma cepa do parasita fosse usada na vacina e no desafio. Se uma cepa diferente fosse usada – um teste mais difícil – sete entre nove pessoas foram protegidas. Com o outro medicamento antimalárico, cloroquina, seis em cada seis pessoas ficaram protegidas em um desafio contra cepas diferentes.

Esses números de alta eficácia não significam necessariamente que essa abordagem funcionaria melhor do que o Mosquirix na vida real. “Mas é um nível de proteção que não foi visto antes em testes de desafio”, diz Duffy.

A principal desvantagem da nova estratégia é que, se as pessoas não tomarem o medicamento antimalárico após serem vacinadas, provavelmente desenvolverão malária. Para evitar isso, um estudo maior foi iniciado em Mali, no qual as pessoas recebem pirimetamina ao mesmo tempo em que são vacinadas.

Veja também sobre "Infecções oportunistas" e "Os animais que mais matam no mundo".

 

Fontes:
Nature, publicação em 30 de junho de 2021.
New Scientist, notícia publicada em 30 de junho de 2021.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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