Uso de antibióticos na meia-idade pode levar ao declínio cognitivo em mulheres

As mulheres que usam uma quantidade significativa de antibióticos na meia-idade são mais propensas a ter declínio cognitivo mais tarde na vida, de acordo com uma nova pesquisa publicada na revista PLoS One.
O microbioma intestinal é cada vez mais reconhecido por desempenhar um papel na cognição e na demência. O uso de antibióticos afeta o microbioma intestinal e tem sido associado a doenças crônicas.
Apesar desses dados, não há evidências que sustentem uma associação entre o uso prolongado de antibióticos em adultos e a função cognitiva.
Saiba mais sobre "As relações entre intestino e cérebro" e "Microbioma intestinal humano".
Foi realizado um estudo de coorte prospectivo de base populacional entre 14.542 participantes do Nurses' Health Study II que completaram uma bateria de testes neuropsicológicos computadorizados autoadministrados entre 2014-2018.
Modelos de regressão linear multivariada foram usados para avaliar se o uso crônico de antibióticos na meia-idade estava associado ao comprometimento cognitivo avaliado mais tarde na vida.
Mulheres que relataram pelo menos 2 meses de exposição a antibióticos na meia-idade (idade média de 54,7 anos, DP 4,6) apresentaram escores cognitivos médios mais baixos sete anos depois, após ajuste para idade e escolaridade do cônjuge e dos pais, com uma diferença média de -0,11 unidades padrão para a pontuação composta global (P para tendência <0,0001), -0,13 para uma pontuação composta de velocidade psicomotora e atenção (P para tendência <0,0001) e -0,10 para uma pontuação composta de aprendizagem e memória de trabalho (P para tendência <0,0001) em comparação com não-usuárias de antibióticos.
Essas diferenças não foram substancialmente alteradas após o ajuste multivariado para fatores de risco adicionais, incluindo comorbidades.
Como referência, a diferença média na pontuação associada a cada ano adicional de idade foi (-0,03) para cognição global, (-0,04) para velocidade psicomotora e atenção e (-0,03) para aprendizagem e memória de trabalho; assim, a relação do uso de antibióticos com a cognição foi aproximadamente equivalente àquela encontrada para três a quatro anos de envelhecimento.
O estudo concluiu que o uso prolongado de antibióticos na meia-idade está associado a pequenas diminuições na cognição avaliada sete anos depois. Esses dados ressaltam a importância do cuidado na administração de antibióticos, especialmente entre as populações em envelhecimento.
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Fonte: PLoS One, publicação em 23 de março de 2022.

