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Uma reação intestinal influencia a eficácia da quimioterapia no câncer de pâncreas

quarta-feira, 22 de março de 2023
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Uma reação intestinal influencia a eficácia da quimioterapia no câncer de pâncreas

A descoberta de que moléculas produzidas por microrganismos intestinais podem afetar as células imunológicas e, portanto, o sucesso da quimioterapia para o câncer de pâncreas aponta o caminho para o uso de intervenções nutricionais para melhorar os resultados.

Os achados são de um estudo publicado na revista Nature.

Leia sobre "Microbioma intestinal humano" e "Câncer de pâncreas".

A quimioterapia é o tratamento mais comum para o câncer de pâncreas que se espalhou para outros locais do corpo (metástase). No entanto, esse tratamento falha se o tumor se tornar resistente a essa terapia.

Embora estejam surgindo novos regimes terapêuticos que usam combinações de tratamentos, os resultados permanecem insatisfatórios. Se fossem identificadas intervenções dietéticas que pudessem reduzir o surgimento de resistência à quimioterapia, e essas intervenções tivessem funcionado em ensaios clínicos, elas poderiam oferecer uma abordagem terapêutica prontamente disponível.

No artigo publicado, pesquisadores apresentam dados de estudos em humanos e camundongos sugerindo que certos microrganismos intestinais produzem moléculas que restauram a resposta dos tumores à quimioterapia.

Eles relatam como o ácido indol-3-acético derivado da microbiota influencia a eficácia da quimioterapia no câncer de pâncreas.

Acredita-se que o adenocarcinoma ductal pancreático (ACDP) será o segundo câncer mais letal até 2040, devido à alta incidência de doença metastática e respostas limitadas ao tratamento. Menos da metade de todos os pacientes respondem ao tratamento primário para ACDP, quimioterapia, e alterações genéticas por si só não podem explicar isso. A dieta é um fator ambiental que pode influenciar a resposta às terapias, mas seu papel no ACDP não é claro.

Neste estudo, usando sequenciamento metagenômico shotgun e triagem metabolômica, mostrou-se que o ácido indol-3-acético (AIA), um metabólito do triptofano derivado da microbiota, é enriquecido em pacientes que respondem ao tratamento.

Transplante de microbiota fecal, manipulação dietética de curto prazo de triptofano e administração oral de AIA aumentam a eficácia da quimioterapia em modelos de camundongos gnotobióticos humanizados de ACDP.

Usando uma combinação de experimentos de perda e ganho de função, mostrou-se que a eficácia do AIA e da quimioterapia é licenciada pela mieloperoxidase derivada de neutrófilos. A mieloperoxidase oxida o AIA, que em combinação com a quimioterapia induz uma regulação negativa das enzimas degradadoras de espécies reativas de oxigênio (ERO) glutationa peroxidase 3 e glutationa peroxidase 7.

Tudo isso resulta no acúmulo de ERO e na regulação negativa da autofagia em células cancerígenas, o que compromete sua aptidão metabólica e, em última instância, sua proliferação.

Em humanos, observou-se uma correlação significativa entre os níveis de AIA e a eficácia da terapia em duas coortes independentes de ACDP.

Em resumo, identificou-se um metabólito derivado da microbiota que tem implicações clínicas no tratamento do adenocarcinoma ductal pancreático e forneceu-se uma motivação para considerar intervenções nutricionais durante o tratamento de pacientes com câncer.

Veja também sobre "O que são metástases" e "Quimioterapia".

 

Fontes:
Nature, publicação em 22 de fevereiro de 2023.
Nature, notícia publicada em 22 de fevereiro de 2023.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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