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Risco de demência é maior após internação hospitalar com infecção

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023
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Risco de demência é maior após internação hospitalar com infecção

A hospitalização com infecção aumentou o risco de um diagnóstico subsequente de demência, mostraram dados longitudinais de um estudo publicado no JAMA Network Open.

Entre quase 16.000 pessoas acompanhadas por 3 décadas, aquelas hospitalizadas com infecção tiveram um risco 70% maior de demência subsequente, relataram Ryan Demmer, PhD, da Universidade of Minnesota, Estados Unidos, e coautores.

Por 1.000 pessoas-ano, as taxas de demência foram de 23,6 eventos para pessoas que foram hospitalizadas com infecção mais cedo na vida versus 5,7 para pessoas que nunca tiveram infecções intra-hospitalares.

“As infecções são comuns e muitas vezes evitáveis”, disse Demmer. “Nossos resultados sugerem que medidas para reduzir o risco de infecção também podem reduzir o risco de demência a longo prazo. O conhecimento de infecções históricas também pode ajudar a priorizar pacientes para triagem de demência.”

Leia sobre "Demência", "Diferenças entre inflamação e infecção" e "Infecção hospitalar".

As descobertas apoiam pesquisas recentes que mostram que infecções mais cedo na vida e na meia-idade tratadas em hospitais podem aumentar o risco de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

“Entre muitos mecanismos teorizados que contribuem para as causas da demência, a neuroinflamação foi reconhecida como um fator provável”, escreveram Demmer e os coautores.

“No caso da doença de Alzheimer, a forma mais estudada de demência, a hipótese é de que a neuroinflamação afete o início e a progressão da doença”, observaram. “Vários mecanismos patogênicos no sistema nervoso central, incluindo astrogliose e microgliose, foram hipotetizados como subjacentes às causas e progressão da doença de Alzheimer”.

Além disso, dados longitudinais do U.K. Biobank sugeriram que a infecção por SARS-CoV-2 pode estar associada a anormalidades cerebrais e declínio cognitivo, disseram Demmer e seus colegas.

No artigo, os pesquisadores contextualizam que os fatores associados ao risco de demência ainda precisam ser totalmente compreendidos. Supõe-se que as infecções sistêmicas estejam incluídas em tais fatores e possam ser alvos de prevenção e triagem.

O objetivo do estudo, portanto, foi investigar a associação entre hospitalização com infecção e demência incidente.

Foram usados dados do estudo baseado na comunidade Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC), um estudo de coorte prospectivo. A inscrição ocorreu em 4 centros de pesquisa nos EUA, iniciados entre 1987 a 1989. O presente estudo inclui dados até 2019, para 32 anos de acompanhamento. A análise dos dados foi realizada no período de abril de 2021 a junho de 2022.

As hospitalizações com infecções foram identificadas por meio da revisão de registros médicos para códigos selecionados da Classificação Internacional de Doenças, Nona Revisão (CID-9) e da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, Décima Revisão (CID-10), desde a linha de base até a censura administrativa ou diagnóstico de demência. Os participantes foram considerados não expostos até a primeira internação com infecção e expostos a partir daí. Subtipos selecionados de infecção também foram considerados.

Dados de demência incidente e de tempo até o evento foram identificados por meio da vigilância dos códigos CID-9 e CID-10 de hospitalização e certidão de óbito, de avaliações pessoais e de entrevistas por telefone. Uma análise de sensibilidade foi realizada excluindo casos ocorridos dentro de 3 anos ou além de 20 anos a partir da exposição. Os dados foram coletados antes da formulação da hipótese do estudo.

Dos 15.792 participantes do estudo ARIC, uma coorte analítica de 15.688 participantes sem demência no início do estudo e de raça negra ou branca foi selecionada (8.658 mulheres [55,2%]; 4.210 pessoas negras [26,8%]; média [DP] de idade inicial, 54,7 [5,8] anos).

A hospitalização com infecção ocorreu entre 5.999 participantes (38,2%). A demência foi verificada em 2.975 participantes (19,0%), em uma mediana (IQR) de 25,1 (22,2-29,1) anos após o início do estudo.

As taxas de demência foram de 23,6 eventos por 1.000 pessoas-ano (IC 95%, 22,3-25,0 eventos por 1.000 pessoas-ano) entre os expostos e 5,7 eventos por 1.000 pessoas-ano (IC 95%, 5,4-6,0 eventos por 1.000 pessoas-ano) entre os não expostos.

Os pacientes hospitalizados com infecção foram 2,02 (IC 95%, 1,88-2,18; P <0,001) e 1,70 (IC 95%, 1,55-1,86; P <0,001) vezes mais propensos a apresentar demência incidente de acordo com modelos de riscos proporcionais de Cox não ajustado e totalmente ajustado, respectivamente, em comparação com indivíduos não expostos.

Ao excluir indivíduos que desenvolveram demência em menos de 3 anos ou mais de 20 anos desde o início ou o evento de infecção, a taxa de risco ajustada foi de 5,77 (IC 95%, 4,92-6,76; P <0,001).

As taxas de demência foram significativamente maiores entre os hospitalizados com infecções respiratórias, do trato urinário, da pele, do sangue e do sistema circulatório ou adquiridas no hospital. Interações multiplicativas e aditivas foram observadas por idade e genótipo APOE-ε.

O estudo concluiu que taxas mais altas de demência foram observadas entre os participantes que sofreram hospitalização com infecção. Esses achados suportam a hipótese de que infecções são fatores associados a maior risco de demências.

Veja também sobre "Doenças degenerativas" e "Mal de Alzheimer".

 

Fontes:
JAMA Network Open, publicação em 09 de janeiro de 2023.
MedPage Today, notícia publicada em 09 de janeiro de 2023.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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