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Remoção de útero e ovários representa risco cardiovascular extra para mulheres mais jovens

terça-feira, 2 de agosto de 2022
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Remoção de útero e ovários representa risco cardiovascular extra para mulheres mais jovens

Um grande estudo apoia o manejo intensivo do risco cardiovascular em mulheres que foram submetidas à histerectomia, com ou sem ooforectomia, antes da menopausa natural por outros motivos que não a malignidade.

Os achados do China Kadoorie Biobank mostram um risco maior de doença cardiovascular (DCV) incidente em mulheres que tiveram uma histerectomia isolada ou histerectomia com ooforectomia bilateral em comparação com mulheres que não foram submetidas a esses procedimentos, de acordo com Ling Yang, PhD, epidemiologista da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e colegas.

Além disso, as estimativas pontuais de risco de DCV, estimadas ao longo de um acompanhamento médio de aproximadamente 10 anos, foram ligeiramente maiores em mulheres que foram submetidas à cirurgia antes dos 48 anos, relatou o grupo de Yang no estudo publicado na revista Stroke.

Aquelas que passaram por histerectomia e ooforectomia pareciam ter excesso de acidente vascular cerebral e isquemia cardíaca em particular. Não houve diferença no AVC hemorrágico.

Saiba mais sobre "Histerectomia ou retirada do útero" e "Riscos e benefícios da retirada dos ovários".

“Os resultados do presente estudo sugerem que as mulheres que foram submetidas a histerectomia com ooforectomia bilateral, mas também histerectomia isolada, devem ser consideradas para triagem mais intensiva de fatores de risco de DCV, particularmente em mulheres mais jovens”, os autores afirmaram.

Para essas pacientes, a terapia de reposição hormonal também pode reduzir os riscos de doença aterosclerótica devida à perda precoce de hormônios endógenos, sugeriu o grupo.

No artigo publicado, os pesquisadores descrevem os riscos de acidente vascular cerebral e doença cardíaca após histerectomia e ooforectomia em mulheres chinesas na pré-menopausa.

Eles contextualizam que pouco se sabe sobre os riscos a longo prazo de acidente vascular cerebral e isquemia cardíaca em mulheres que fizeram histerectomia isolada (HI) ou com ooforectomia bilateral (HOB) para doenças benignas, particularmente na China, onde a carga de doenças cardiovasculares (DCV) é alta.

Foram avaliados então os níveis médios de fatores de risco cardiovascular e riscos relativos de acidente vascular cerebral e isquemia cardíaca em mulheres chinesas que tiveram HI ou HOB.

Um total de 302.510 mulheres, com idades entre 30 e 79 anos, foram inscritas no China Kadoorie Biobank de 2004 a 2008 e acompanhadas por uma média de 9,8 anos. A análise envolveu mulheres na pré-menopausa sem doença cardiovascular prévia ou câncer no momento da inscrição.

Calculou-se as razões de risco ajustadas para casos incidentes de DCV e seus tipos patológicos (AVC isquêmico, AVC hemorrágico e isquemia cardíaca) após HI e HOB. As análises foram estratificadas por idade e região e ajustadas para escolaridade, renda familiar, tabagismo, consumo de álcool, atividade física, índice de massa corporal, pressão arterial sistólica, diabetes, saúde autorreferida e número de gestações.

Entre 282.722 mulheres elegíveis, 8.478 tiveram HI e 1.360 tiveram HOB. Mulheres que tiveram uma histerectomia tiveram risco 9% maior de DCV após a HI (razão de risco, 1,09 [IC 95%, 1,06-1,12]) e risco 19% maior de DCV após HOB (1,19 [IC 95%, 1,12-1,26]) em comparação com mulheres que não tiveram uma histerectomia.

Ambas HI e HOB foram associadas a maiores riscos de acidente vascular cerebral isquêmico e isquemia cardíaca, mas não a acidente vascular cerebral hemorrágico. Os riscos relativos de DCV associados a HI e HOB foram mais extremos em idade mais jovem na cirurgia.

O estudo concluiu que mulheres que tiveram histerectomia isolada ou histerectomia com ooforectomia bilateral têm maiores riscos de acidente vascular cerebral isquêmico e isquemia cardíaca, e esses riscos devem ser avaliados ao discutir essas intervenções.

Triagem adicional para fatores de risco para doenças cardiovasculares deve ser considerada em mulheres após cirurgias de histerectomia, especialmente se tais operações forem realizadas em idade mais jovem.

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Fontes:
Stroke, publicação em 13 de julho de 2022.
MedPage Today, notícia publicada em 14 de julho de 2022.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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