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Relatório descreve a transmissão vaginal de câncer de mães com câncer cervical para bebês

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021
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Relatório descreve a transmissão vaginal de câncer de mães com câncer cervical para bebês

Duas crianças com câncer de pulmão no Japão adquiriram as células tumorais de suas mães durante ou pouco antes do nascimento – uma forma incrivelmente rara de desenvolver a doença.

Os dois casos de câncer de pulmão pediátrico resultantes de transmissão de mãe para filho de tumores do colo uterino foram detectados incidentalmente durante o sequenciamento de próxima geração de amostras pareadas de tumor e tecido normal.

Chitose Ogawa, do National Cancer Center Hospital, em Tóquio, e seus colegas fizeram a descoberta durante esse sequenciamento do DNA dos tumores das crianças para um ensaio clínico prospectivo.

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O primeiro menino foi diagnosticado com câncer de pulmão aos 23 meses, enquanto o segundo menino tinha 6 anos quando desenvolveu dores no peito, levando os médicos a descobrirem um tumor em seu pulmão esquerdo.

Ambas as mães das crianças tiveram câncer cervical: a mãe do primeiro menino foi diagnosticada três meses após o nascimento e a mãe do segundo menino foi diagnosticada após o parto.

A análise mostrou que os tumores dos meninos tinham mutações genéticas que correspondiam aos cânceres de suas mães. Ela também mostrou que o DNA das células tumorais dos meninos não tinha o cromossomo Y encontrado na maioria das células masculinas. As células também testaram positivo para cepas do papilomavírus humano – que é conhecido por desencadear o câncer cervical.

A regressão espontânea de algumas lesões na primeira criança e o crescimento lento da massa tumoral na segunda criança sugeriram a existência de respostas aloimunes contra os tumores transmitidos. A terapia com inibidor do ponto de verificação imunológico com nivolumabe levou a uma forte regressão de todos os tumores remanescentes na primeira criança.

Algumas células cancerosas provavelmente escaparam para o líquido amniótico durante o final da gestação ou foram transmitidas para as crianças durante o nascimento, diz Paul Ekert, do Instituto do Câncer Infantil em Sydney, que não esteve envolvido na pesquisa. Ambas as crianças nasceram de parto normal e é possível que tenham inalado células tumorais.

Esses casos de transmissão de câncer de mãe para filho são surpreendentemente raros. Aproximadamente um em cada 1000 nascidos vivos envolve uma mãe com câncer, e estima-se que a transmissão ocorra em um bebê para cada 500.000 mães com câncer.

A maioria dos especialistas em câncer infantil pode só ver um caso desses uma vez na vida, diz Ekert, especialista em oncologia pediátrica. “Normalmente, seria mitigado por causa da vigilância imunológica para células contaminantes de outro indivíduo – mesmo se esse indivíduo for parente”, diz ele.

O fato de um menino apresentar sintomas apenas aos 6 anos era ainda mais incomum, acrescenta. Isso sugere que as células cancerosas persistiram e se dividiram lentamente por anos antes de passarem a crescer mais rapidamente.

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Fontes:
The New England Journal of Medicine, publicação em 07 de janeiro de 2021.
New Scientist, notícia publicada em 06 de janeiro de 2021.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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