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Relação cintura-quadril e mortalidade na insuficiência cardíaca

quinta-feira, 9 de agosto de 2018
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Relação cintura-quadril e mortalidade na insuficiência cardíaca

Estudo publicado pelo European Journal of Heart Failure sugere que a adiposidade central deve ser alvo de tratamento na insuficiência cardíaca (IC), especialmente em mulheres. E que a composição corporal pode ser mais importante de se avaliar do que o índice de massa corporal (IMC).

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O índice de massa corporal mais alto está associado a melhor sobrevida em pacientes com insuficiência cardíaca (IC), também conhecido como "paradoxo da obesidade". No entanto, o IMC não leva em conta a composição corporal. Pesquisadores do Departamento de Cardiologia, da University Medical Center Groningen, na Holanda, analisaram a associação entre gordura abdominal, medida pela relação cintura-quadril (RCQ) e pelo índice de massa corporal e a mortalidade por todas as causas em pacientes com IC.

Para esta análise, 1.738 pacientes do estudo de validação Scottish BIOlogy Study to TAilored Treatment in Chronic Heart Failure (BIOSTAT-CHF) foram incluídos. Pacientes sem medidas de cintura e quadril foram excluídos. A RCQ foi definida como circunferência da cintura/ circunferência do quadril, dividida em tercis e separada sexo. A regressão linear dos componentes principais de um extenso painel de biomarcadores foi realizada para fornecer uma visão da fisiopatologia por trás de uma maior RCQ. No total, 1.479 pacientes foram incluídos, dos quais 33% eram do sexo feminino e a média de idade era de 75 ± 11 anos.

Uma RCQ mais alta foi independentemente associada a um IMC mais alto, maior prevalência de diabetes e maior pontuação na Classificação Funcional da New York Heart Association para a insuficiência cardíaca, um meio simples de classificar a extensão da insuficiência cardíaca e que categoriza os doentes em uma de quatro categorias baseada na limitação da atividade física (dispneia). Os pacientes classificados na classe IV apresentam severas limitações.

Houve uma interação significativa entre sexo e RCQ em sua associação com mortalidade (P<0,001). Nas mulheres, uma RCQ mais alta foi associada a um maior risco de mortalidade [razão de risco (RR) 2,23, intervalo de confiança de 95% (IC) 1,37-3,63; P = 0,001], enquanto nenhuma associação significativa foi encontrada em homens (HR 0,87, IC 95% 0,63-1,20; P = 0,409). Encontrou-se uma forte associação entre uma RCQ mais elevada e marcadores elevados de inflamação e ativação da cascata de MAPK (cascata de ativação da proteína quinase mitogênica) em mulheres, enquanto estas associações foram menos evidenciadas nos homens.

As conclusões mostram que uma RCQ mais alta foi associada a um maior risco de morte em pacientes do sexo feminino com insuficiência cardíaca, mas não em pacientes do sexo masculino. Esses achados desafiam o "paradoxo da obesidade" e sugerem que a deposição central de gordura é fisiopatologicamente prejudicial e pode ser um alvo promissor na terapia de pacientes do sexo feminino com insuficiência cardíaca.

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Fonte: European Journal of Heart Failure, publicado em 2 de julho de 2018

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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