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Redução da pressão arterial é uma estratégia eficaz para a prevenção de novo início do diabetes tipo 2

terça-feira, 30 de novembro de 2021
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Redução da pressão arterial é uma estratégia eficaz para a prevenção de novo início do diabetes tipo 2

A redução da pressão arterial é uma estratégia estabelecida para prevenir complicações microvasculares e macrovasculares do diabetes, mas seu papel na prevenção do diabetes em si não é claro. O objetivo neste estudo, publicado pelo The Lancet, foi examinar esta questão usando dados de participantes individuais de grandes ensaios clínicos randomizados.

Foi realizada uma metanálise de dados de participantes individuais de um estágio, em que os dados foram agrupados para investigar o efeito da redução da pressão arterial per se sobre o risco de novo início do diabetes tipo 2.

Uma metanálise de rede de dados de participantes individuais foi usada para investigar os efeitos diferenciais de cinco classes principais de medicamentos anti-hipertensivos sobre o risco de novo início do diabetes tipo 2.

Leia sobre "O que vem a ser pressão arterial", "Diabetes Mellitus" e "Complicações do diabetes mellitus".

No geral, os dados de 22 estudos conduzidos entre 1973 e 2008 foram obtidos pela Blood Pressure Lowering Treatment Trialists’ Collaboration (Oxford University, Oxford, Reino Unido). Foram incluídos todos os ensaios de prevenção primária e secundária que usaram uma classe específica ou classes de medicamentos anti-hipertensivos versus placebo ou outras classes de medicamentos para baixar a pressão arterial que tiveram pelo menos 1000 pessoas-anos de acompanhamento em cada braço alocado aleatoriamente.

Participantes com diagnóstico conhecido de diabetes no início do estudo e estudos realizados em pacientes com diabetes prevalente foram excluídos. Para a metanálise de dados de participantes individuais de um estágio, usou-se o modelo estratificado de riscos proporcionais de Cox e para a metanálise de rede de dados de participantes individuais usou-se modelos de regressão logística para calcular o risco relativo (RR) para comparações de classes de medicamentos.

145.939 participantes (88.500 [60,6%] homens e 57.429 [39, 4%] mulheres) de 19 ensaios clínicos randomizados foram incluídos na metanálise de dados individuais de um estágio. 22 estudos foram incluídos na metanálise de rede de dados de participantes individuais.

Após um acompanhamento médio de 4,5 anos (IQR 2,0), 9.883 participantes foram diagnosticados com novo início do diabetes tipo 2. A redução da pressão arterial sistólica em 5 mmHg reduziu o risco de diabetes tipo 2 em todos os ensaios em 11% (razão de risco 0,89 [IC 95% 0,84-0,95]).

A investigação dos efeitos das cinco classes principais de medicamentos anti-hipertensivos mostrou que, em comparação com o placebo, os inibidores da enzima conversora da angiotensina (RR 0,84 [IC 95% 0,76-0,93]) e os bloqueadores dos receptores da angiotensina II (RR 0,84 [0,76-0,92]) reduziram o risco de novo início do diabetes tipo 2; no entanto, o uso de β bloqueadores (RR 1,48 [1,27-1,72]) e diuréticos tiazídicos (RR 1,20 [1,07-1,35]) aumentaram este risco, e nenhum efeito material foi encontrado para bloqueadores dos canais de cálcio (RR 1,02 [0,92-1,13]).

A redução da pressão arterial é uma estratégia eficaz para a prevenção de novo início do diabetes tipo 2. As intervenções farmacológicas estabelecidas, no entanto, têm efeitos qualitativa e quantitativamente diferentes sobre o diabetes, provavelmente devido aos seus diferentes efeitos fora do alvo, com inibidores da enzima conversora da angiotensina e bloqueadores dos receptores da angiotensina II tendo os resultados mais favoráveis.

Essa evidência apoia a indicação de classes selecionadas de medicamentos anti-hipertensivos para a prevenção do diabetes, o que poderia refinar ainda mais a escolha do medicamento de acordo com o risco clínico de diabetes do indivíduo.

Veja também sobre "Hipertensão Arterial", "Mecanismos de ação dos anti-hipertensivos" e "Prevenção do diabetes e suas complicações".

 

Fonte: The Lancet, Vol. 398, Nº 10313, em 13 de novembro de 2021.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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