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Pesquisadores podem finalmente ter descoberto por que as pessoas tendem a recuperar peso depois de perdê-lo

quinta-feira, 27 de abril de 2023
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Pesquisadores podem finalmente ter descoberto por que as pessoas tendem a recuperar peso depois de perdê-lo

Pesquisadores identificaram uma via cerebral em camundongos que pode explicar por que as pessoas tendem a recuperar o peso perdido. Terapias futuras direcionadas a essa via poderiam ajudar na manutenção do peso após uma dieta.

No estudo, publicado na revista Cell Metabolism, descobriu-se que quando camundongos perdem peso, os sinais cerebrais que desencadeiam a fome são ativados, fazendo com que os animais comam mais até voltarem ao peso inicial.

Quase metade das pessoas com obesidade que participam de programas de perda de peso recuperam o peso perdido em cinco anos. O mecanismo que leva a essa recuperação de peso é desconhecido, mas pode estar relacionado a células localizadas no hipotálamo chamadas neurônios AgRP, que já demonstraram desempenhar um papel importante na regulação da fome. “Eles são ativados quando o corpo está com pouco combustível e, quando estão ativos, causam fome intensa”, diz Brad Lowell, do Beth Israel Deaconess Medical Center, em Massachusetts, Estados Unidos.

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Muitas regiões cerebrais diferentes enviam sinais aos neurônios AgRP por meio de conexões conhecidas como sinapses. Essas conexões podem se fortalecer ou enfraquecer, alterando a intensidade dos sinais que trafegam por elas – quanto mais forte a conexão, mais alta a mensagem.

Para ver como a perda de peso afeta essas sinapses, Lowell e sua equipe mediram a atividade no cérebro post-mortem de nove camundongos, cinco dos quais jejuaram por 16 horas antes de seus cérebros serem examinados. Os pesquisadores estimularam regiões do cérebro conhecidas por sinalizar para neurônios AgRP usando optogenética, uma técnica que ativa células usando luz. Em resposta, os ratos que jejuaram tiveram mais atividade em uma parte do hipotálamo chamada núcleo hipotalâmico paraventricular (PVH) do que os ratos que não jejuaram. Esta região do cérebro é conhecida por estar envolvida no metabolismo e no crescimento.

Os pesquisadores silenciaram esses neurônios do PVH em um grupo separado de camundongos que jejuaram e depois rastrearam quanta comida os camundongos comeram em 24 horas. Em média, os camundongos comeram cerca de 33% menos comida do que os camundongos do grupo de controle e recuperaram menos peso ao longo de sete dias. Outros experimentos revelaram que, uma vez que os camundongos recuperaram o peso que haviam perdido em jejum, a sinalização amplificada dos neurônios do PVH voltou ao normal.

Juntos, esses achados sugerem que a recuperação do peso é impulsionada por um aumento temporário na sinalização dos neurônios do PVH para os neurônios AgRP. “Muita fome é um problema médico e pouca fome é um problema médico”, diz Lowell. “Se vamos tentar descobrir como lidar com esses problemas, precisamos entender como a fome funciona.”

Essas descobertas são um passo importante para isso. Futuras terapias que atenuam a sinalização dos neurônios do PVH, por exemplo, podem ajudar as pessoas a manter a perda de peso, diz ele. No entanto, mais pesquisas são necessárias para entender melhor a função dos neurônios do PVH e as consequências de silenciá-los. “Você poderia fazer isso sem efeitos colaterais? Isso ainda não sabemos”, diz Lowell.

Um amplificador sináptico da fome no hipotálamo para recuperar o peso corporal

Destaques

  • A perda de peso após a privação calórica ativa os neurônios do hipotálamo paraventricular liberadores de tireotropina (PVH-TRH) que co-expressam o polipeptídeo hipofisário ativador de adenilato ciclase (PACAP).
  • Neurônios PVH-TRH ativados aumentam o número de sinapses neuronais PVH-TRH → AgRP.
  • A potencialização de sinapses excitatórias PVH-TRH → AgRP duram até que o peso perdido seja recuperado.
  • A atividade do circuito PVH-TRH → AgRP é necessária e suficiente para direcionar o (re)ganho de peso.

Resumo

Restringir a ingestão calórica reduz efetivamente o peso corporal, mas a maioria das pessoas que fazem dieta falha na adesão de longo prazo ao déficit calórico e, eventualmente, recupera o peso perdido.

Os circuitos hipotalâmicos que controlam a fome determinam criticamente o peso corporal; no entanto, ainda não está claro como a perda de peso esculpe esses circuitos para motivar o consumo de alimentos até que o peso perdido seja recuperado.

Neste estudo, investigou-se a contribuição da plasticidade sináptica em aferentes excitatórios discretos em neurônios AgRP promotores de fome. Revelou-se um papel crucial para a amplificação dependente de atividade, e notavelmente duradoura, da atividade sináptica originada dos neurônios do hipotálamo paraventricular liberadores de tireotropina (PVH-TRH) no controle de peso corporal a longo prazo.

O silenciamento dos neurônios PVH-TRH inibe a potencialização da entrada excitatória para os neurônios AgRP e diminui a recuperação concomitante do peso perdido. A estimulação breve da via é suficiente para potencializar de forma duradoura esta sinapse glutamatérgica de fome e desencadeia um ganho de peso corporal dependente do receptor de NMDA que persiste de forma duradoura.

A identificação deste amplificador sináptico dependente de atividade fornece um alvo anteriormente não reconhecido para combater a recuperação do peso perdido.

Veja também sobre "O que são calorias", "Tratando a obesidade" e "Neurociência - o que ela estuda".

 

Fontes:
Cell Metabolism, publicação em 24 de março de 2023.
New Scientist, notícia publicada em 24 de março de 2023.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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