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Pesquisadores brasileiros testam, com sucesso, nova vacina injetável contra o câncer de próstata

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007
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Pesquisadores brasileiros testam, com sucesso, nova vacina injetável contra o câncer de próstata

Estudo realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) por cinco pesquisadores do setor de Urologia do Hospital de Clínicas está testando, com sucesso, uma nova vacina injetável contra o câncer de próstata. Os resultados serão publicados em março no The Journal of Pharmacy and Pharmacology

Segundo o pesquisador Fernando Thomé Kreutz, um dos coordenadores do estudo, a vacina vem sendo testada desde 2001 e os resultados obtidos até o momento são excelentes. Em 11 doentes com câncer de próstata em estado avançado, a eficácia chegou a 36%. Além disso, verificou-se a segurança da vacina com ausência de efeito adverso ou toxicidade e boa resposta clínica, o que costuma ser difícil nesse tipo de experimento. O único problema que ocorreu em alguns pacientes foi dor no local da aplicação, efeito comum mesmo em vacinas que fazem parte do calendário básico de vacinação de uma criança.

A vacina traz um método de modificação de células tumorais inédito no mundo. Através de intervenção cirúrgica, uma parte de tecido cancerígeno do corpo do paciente é retirada. Depois disso, o material é enviado para laboratório e colocado em um meio de cultura contendo citoquina e outros nutrientes que o levam a crescer e a ganhar nova aparência. É como se o tecido fosse "pintado" e assim se tornasse "visível" ao sistema imunológico. As quantidades empregadas de citoquinas e os meios utilizados para a "pintura" ainda não são divulgados por Kreutz, que aguarda o resultado de um pedido de patente encaminhado em 2001. Passados 45 dias entre cultura e "pintura", as células recebem doses de radiação e morrem. Sua estrutura, porém, se mantém. Só então, o tecido modificado é inoculado no corpo do paciente. O médico acredita que, à medida em que o sistema imunológico aprender a "enxergar" o que há de errado com as células "pintadas", também aprenderá a identificar a tempo outras células do tumor.

Os pacientes só podem fazer uso da vacina se houver acompanhamento por uma equipe especializada. O tratamento ainda está em fase experimental. Existem nove pesquisas semelhantes no mundo. Os Estados Unidos conseguiram índice de eficiência de 44%, considerado o mais alto do mundo. Depois vem o índice alcançado pelos pesquisadores brasileiros, que é de 36%. No entanto, o método de modificação de células tumorais descoberto pelos pesquisadores gaúchos é inédito no mundo.

A incidência do câncer de próstata aumenta com a idade, atingindo quase 50% dos indivíduos com 80 anos. Este tumor, provavelmente, não poupará nenhum homem que viver até 100 anos. A autópsia de homens com idade entre 60 e 70 anos que faleceram sem doença prostática aparente, mostra focos cancerosos em 24% das próstatas examinadas. Entretanto, apenas 11% dos indivíduos desta faixa etária apresentam, em vida, problemas com o câncer da próstata. Ou seja, 13% dos tumores neste grupo não se manifestam clinicamente e os seus portadores morrem por outros motivos.

Todos os homens podem fazer a prevenção com visitas anuais ao urologista a partir dos 50 anos e, em casos de história familiar, esta idade passa para 45 anos. O câncer de próstata, quando diagnosticado precocemente, é curável. O rastreamento passa por dois tipos de exames: o PSA (Antígeno Prostático Específico), uma proteína produzida exclusivamente pela próstata, que se eleva nos casos de câncer, e o exame de toque retal. É fundamental que se faça, simultaneamente, os dois exames para a obtenção de resultados precisos.

Uma alimentação com baixo teor de gordura animal e abundante ingestão de tomate e seus derivados parece diminuir em 35% os riscos de câncer da próstata, segundo estudo realizado na Universidade de Harvard. Este efeito benéfico do tomate resultaria da presença de grandes quantidades de licopeno, um betacaroteno natural precursor da vitamina A. Pode ser usada uma complementação dietética com vitamina E (800 mg ao dia) e com selênio (200 µg ao dia) de acordo com dados do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, de Nova York. Quanto mais cedo se detectar o problema, melhores serão as condições de tratamento e as possibilidades de cura. Os principais sintomas são sangue na urina, dificuldade ou dor para urinar.

Fonte: Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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