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Papel do refluxo gastroesofágico na cascata inflamatória da otite média em crianças

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
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Papel do refluxo gastroesofágico na cascata inflamatória da otite média em crianças

A otite média é caracterizada por uma inflamação com acúmulo de secreção no ouvido médio. Os mecanismos moleculares subjacentes à patogênese da doença, particularmente a resposta inflamatória, são ainda desconhecidos. A hipótese do presente estudo é de que a aspiração do conteúdo gástrico para a nasofaringe pode ser responsável pelo início do processo inflamatório ou agravar uma condição pré-existente.

Um estudo publicado pelo periódico JAMA Otolaryngology - Head Neck Surgery investigou a correlação entre a pepsina A gástrica, as citocinas inflamatórias, a infecção bacteriana e os resultados clínicos.

O estudo prospectivo contou com 129 pacientes pediátricos submetidos à miringotomia com colocação de tubo de ventilação para tratamento da otite média em um hospital pediátrico de nível terciário.

Amostras de ouvido foram testadas para a pepsina A, citocinas interleucinas (IL-6, IL-8 e fator de necrose tumoral) e inoculação de bactérias para cultura. Os dados foram analisados pela estatística descritiva e análise de regressão para identificar fatores de risco para a presença de pepsina A e correlacionar os níveis de pepsina A com os níveis de citocinas, o estado de infecção e os resultados clínicos.

Dos 129 pacientes, foram obtidas 199 amostras de ouvido; 82 amostras (41%) e 64 pacientes (50%) foram positivos para a pepsina A medida por imunoensaio. A positividade da pepsina A foi correlacionada com idade menor do que três anos e com todos os três níveis de citocinas (fator de necrose tumoral, IL-6 e IL-8). No entanto, a análise de regressão logística mostrou que apenas a IL-8 e a idade foram variáveis independentes significativas. Não houve associação estatisticamente significativa encontrada com outros parâmetros. Regressões lineares múltiplas revelaram que os níveis de pepsina A foram correlacionados com os níveis de IL-8 e a necessidade de uma segunda ou terceira colocação de tubos de ventilação 6 a 12 meses após a colocação do primeiro. A presença de pepsina A no ouvido médio não foi associada ao aumento de infecção bacteriana. A interleucina 8 foi independente e significativamente associada aos níveis de pepsina A e à infecção bacteriana.

O refluxo esofágico, como indicado pela presença de pepsina A, está intimamente envolvido no processo inflamatório da otite média e pode piorar a doença em algumas crianças; no entanto, uma prova de causa e efeito entre o refluxo extraesofágico e a inflamação do ouvido médio requer uma investigação mais aprofundada.

Fonte: JAMA Otolaryngology - Head Neck Surgery, publicação online, de 29 de janeiro de 2015

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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