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Novo subtipo de diabetes foi descoberto em jovens da África Subsaariana

terça-feira, 19 de agosto de 2025
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Novo subtipo de diabetes foi descoberto em jovens da África Subsaariana

Uma equipe internacional de pesquisadores fez uma descoberta fundamental: muitas crianças e jovens adultos na África Subsaariana diagnosticados com diabetes tipo 1 (DM1) podem ter uma forma diferente da doença, uma forma não causada pelo sistema imunológico, ao contrário do DM1 clássico. Essa descoberta pode mudar a forma como o diabetes é diagnosticado, tratado e gerenciado em toda a região, abrindo caminho para um tratamento mais preciso e melhores resultados.

A pesquisa foi publicada no The Lancet Diabetes & Endocrinology.

“Este é o primeiro estudo em vários países da África Subsaariana a usar os mesmos testes laboratoriais e ferramentas genéticas para aprender mais sobre o diabetes tipo 1. Já realizamos pesquisas semelhantes nos EUA com diferentes grupos, mas o que é empolgante aqui é poder comparar os resultados entre a África e os EUA”, disse a co-autora do artigo, Dana Dabelea, MD, PhD, da Escola de Saúde Pública do Colorado, no Campus Médico Anschutz da Universidade do Colorado.

Os pesquisadores recrutaram 894 participantes com diabetes de início juvenil de três países africanos: Camarões, Uganda e África do Sul. Eles compararam os resultados dessa população com estudos semelhantes realizados nos EUA na mesma faixa etária.

“É uma oportunidade realmente única e importante para explorar a heterogeneidade do DM1 entre países e grupos raciais que vivem em ambientes muito diferentes”, acrescenta Dabelea.

Leia também sobre "Diabetes autoimune latente, ou diabetes 1,5" e "Jovens, magros e diabéticos: novo tipo de diabetes reconhecido em 2025".

Os pesquisadores descobriram que muitos jovens na África Subsaariana diagnosticados com DM1 frequentemente não apresentam os marcadores sanguíneos usuais (chamados autoanticorpos contra ilhotas) normalmente observados em pessoas com DM1 em outras partes do mundo. Especificamente, 65% dos participantes com DM1 nessa região não apresentavam autoanticorpos contra ilhotas.

Os autoanticorpos contra ilhotas ajudam a distinguir o DM1 de outras formas de diabetes, como diabetes tipo 2 ou monogênico, que têm causas e tratamentos diferentes.

“Isso sugere que muitos jovens nesta região têm uma forma completamente diferente de DM1, que não é de origem autoimune”, disse Dabelea.

Quando os pesquisadores compararam esses dados com estudos nos EUA, descobriram que uma proporção menor, porém significativa (15%) de participantes negros diagnosticados com DM1 apresentava uma forma semelhante de diabetes encontrada na África Subsaariana, caracterizada por autoanticorpos negativos e um baixo escore de risco genético para DM1.

No entanto, americanos brancos com DM1 apresentaram o padrão autoimune típico: mesmo que não tivessem autoanticorpos detectáveis, sua genética ainda apontava para diabetes autoimune.

“A identificação desse subtipo de diabetes tipo 1 em populações da África Subsaariana e entre indivíduos de ascendência africana nos EUA sugere uma potencial ligação ancestral ou genética”, disse Dabelea. “Essas descobertas destacam a necessidade de considerar etiologias alternativas neste grupo, e uma compreensão mais profunda dos mecanismos subjacentes pode fornecer insights importantes para futuras estratégias de prevenção e tratamento.”

Confira a seguir o resumo do artigo publicado.

Diabetes não autoimune com deficiência de insulina em crianças e jovens adultos na África: evidências do estudo transversal Young-Onset Diabetes in sub-Saharan Africa (YODA)

Estudos sobre diabetes tipo 1 na África Subsaariana sugeriram que o fenótipo clínico pode diferir dos fenótipos relatados em outros lugares. O objetivo deste estudo foi estabelecer se o diabetes tipo 1 diagnosticado em crianças e jovens adultos em três países da África Subsaariana é de origem autoimune.

Neste estudo observacional transversal, identificou-se participantes sem obesidade de clínicas ambulatoriais de hospitais públicos e privados em Camarões, Uganda e África do Sul, de etnia negra africana autorreferida, com diabetes tipo 1 de início jovem (idade <30 anos) tratado com insulina e diagnosticado clinicamente.

Foram medidos os autoanticorpos das ilhotas para GADA, IA-2A e ZnT8A e calculou-se um escore de risco genético (ERG) para diabetes tipo 1, que comparou-se com populações controle sem diabetes, derivadas do banco de dados Uganda Genome Resource e de outros estudos. A secreção endógena de insulina foi avaliada utilizando o peptídeo C plasmático. Comparou-se os resultados com os de participantes com ascendência autorreferida negra (n = 429) e branca (n = 2.602) com diabetes tipo 1 do estudo SEARCH for Diabetes in Youth (SEARCH) nos EUA.

Dos 1.072 participantes identificados entre 28 de agosto de 2019 e 31 de março de 2022 (Camarões e Uganda) e 3 de outubro de 2007 a 14 de setembro de 2015 (África do Sul), 894 foram incluídos na análise (454 [50,8%] eram homens e 440 [49,2%] eram mulheres): 248 participantes eram de Camarões, 370 de Uganda e 276 da África do Sul. Os participantes da África Subsaariana foram diagnosticados com diabetes em uma idade mediana de 15 anos (IQR 11-19), com uma duração mediana do diabetes de 5 anos (2-10) e um IMC de 21,7 kg/m² (19,5-24,1).

Apenas 312 (34,9%) de 894 participantes foram positivos para autoanticorpos de ilhotas. Esses participantes tinham características clássicas de diabetes tipo 1, incluindo 225 (82,7%) de 272 com peptídeo C plasmático <200 pmol/L e ERG alto para diabetes tipo 1.

Aqueles sem autoanticorpos de ilhotas (582 [65,1%] de 894) tinham uma mediana do ERG para diabetes tipo 1 significativamente menor do que aqueles com autoanticorpos (9,66 [IQR 7,77-11,33] vs 11,76 [10,49-12,91]; p <0,0001), sugerindo um subgrupo com um subtipo de diabetes não autoimune, com características clínicas e concentrações de peptídeo C não consistentes com diabetes tipo 2.

Entre participantes diagnosticados com menos de 20 anos, diabetes com autoanticorpo negativo também foi observado em 65 (15,1%) de 429 participantes com ascendência negra no SEARCH (embora com menor frequência do que na África Subsaariana [59 {55,1%} de 107]), e esses participantes também apresentaram um ERG baixo para diabetes tipo 1 (mediana de 10,41 [IQR 8,65-12,22] no subgrupo de autoanticorpo negativo).

Tal padrão não foi observado em participantes brancos no SEARCH: 241 (9,3%) de 2.602 eram autoanticorpos negativos e o ERG mediano para diabetes tipo 1 foi semelhante em participantes autoanticorpos negativos e autoanticorpos positivos (mediana de 13,42 [IQR 11,80-14,61] vs 13,49 [12,29-14,58]).

O estudo concluiu que, na África Subsaariana, o diabetes tipo 1 diagnosticado clinicamente é heterogêneo, compreendendo o diabetes tipo 1 autoimune clássico e um novo subtipo de diabetes não autoimune com deficiência de insulina. Há evidências desse subtipo em indivíduos negros, mas não em indivíduos brancos nos EUA.

Portanto, causas alternativas devem ser consideradas nesse grupo de indivíduos, e a compreensão dos fatores que influenciam esse subtipo pode oferecer novos insights sobre prevenção e tratamento.

Saiba mais sobre "Avanços recentes no tratamento do diabetes", "Sistema imunológico" e "Quatro vezes mais anos de vida perdidos para diabetes tipo 1 do que para diabetes tipo 2".

 

Fontes:
The Lancet Diabetes & Endocrinology, Vol. 13, N° 9, em setembro de 2025.
University of Colorado, notícia publicada em 21 de julho de 2025.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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