Mulheres com SOP têm risco aumentado de complicações cardiovasculares durante a gravidez

Um novo estudo liderado por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, publicado no Journal of the American Heart Association, está fornecendo aos médicos uma visão abrangente das tendências, preditores e resultados de complicações cardiovasculares entre mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP).
Os resultados do estudo, que utilizou dados da Amostra Nacional de Pacientes Internados de 2002 a 2019, detalham tendências proeminentes de doenças cardiovasculares entre mulheres com SOP durante hospitalizações de parto nos EUA, sugerindo que a SOP foi um preditor independente de risco aumentado de complicações múltiplas, incluindo pré-eclâmpsia, eclâmpsia, miocardiopatia periparto e insuficiência cardíaca em comparação com suas homólogas sem SOP.
“Muitas vezes, as mulheres com SOP estão compreensivelmente preocupadas com os efeitos imediatos, como ciclo menstrual irregular, excesso de pelos no corpo, ganho de peso e acne. No entanto, as complicações cardiovasculares a longo prazo também são um problema sério”, disse a pesquisadora do estudo Erin Michos, MD, professora associada de medicina da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, em um comunicado da Johns Hopkins Medicine.
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Apesar de ser o distúrbio endócrino mais comum que afeta as mulheres em idade fértil, a SOP representa um aspecto muitas vezes esquecido da saúde da mulher na medicina moderna.
No artigo, os pesquisadores contextualizam que as mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP) têm um risco aumentado de complicações associadas à gravidez. No entanto, os dados sobre complicações cardiovasculares periparto permanecem limitados.
Assim, investigou-se tendências, resultados e preditores de complicações cardiovasculares associadas ao diagnóstico de SOP durante as internações de parto nos Estados Unidos.
Foram usados dados da Amostra Nacional de Pacientes Internados (2002–2019). Os códigos da Classificação Internacional de Doenças, Nona Revisão (CID-9), ou Classificação Internacional de Doenças, Décima Revisão (CID-10), foram usados para identificar internações de parto e diagnóstico de SOP.
Foram identificadas 71.436.308 internações ponderadas para partos, sendo 0,3% entre mulheres com SOP (n = 195.675). As prevalências de SOP e de obesidade entre aquelas com SOP aumentaram durante o período do estudo. As mulheres com SOP eram mais velhas (mediana, 31 versus 28 anos; P <0,01) e tinham maior prevalência de diabetes, obesidade e dislipidemia.
Após o ajuste para idade, raça e etnia, comorbidades, seguro e renda, a SOP permaneceu um preditor independente de complicações cardiovasculares, incluindo pré-eclâmpsia (razão de chances [OR] ajustada, 1,56 [IC 95%, 1,54-1,59]; P <0,01), eclâmpsia (OR ajustada, 1,58 [IC 95%, 1,54-1,59]; P <0,01), miocardiopatia periparto (OR ajustada, 1,79 [IC 95%, 1,49-2,13]; P <0,01) e insuficiência cardíaca (OR ajustada, 1,76 [IC 95%, 1,27-2,45]; P <0,01), em comparação com nenhuma SOP.
Além disso, as hospitalizações de parto entre mulheres com SOP foram associadas ao aumento da duração (3 versus 2 dias; P <0,01) e do custo da hospitalização (US$ 4.901 versus US$ 3.616; P <0,01).
O estudo concluiu que mulheres com síndrome dos ovários policísticos apresentaram maior risco de pré-eclâmpsia/eclâmpsia, miocardiopatia periparto e insuficiência cardíaca durante as internações de parto. Além disso, as internações de parto entre mulheres com diagnóstico de SOP foram associadas ao aumento da duração e do custo da hospitalização.
Isso significa a importância da consulta pré-gestacional e otimização da saúde cardiometabólica para melhorar os resultados maternos e neonatais.
Leia sobre "Diferenças entre pré-eclâmpsia e eclâmpsia" e "Sinais de doenças cardíacas em mulheres".
Fontes:
Journal of the American Heart Association, publicação em 16 de junho de 2022.
Practical Cardiology, notícia publicada em 18 de junho de 2022.

