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Maioria das atividades físicas está associada a um menor risco de demência, mas um tipo de atividade pode aumentá-lo

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Maioria das atividades físicas está associada a um menor risco de demência, mas um tipo de atividade pode aumentá-lo

A relação entre atividade física e o risco de demência pode depender de a atividade ser um exercício recreativo ou um trabalho profissional, sugeriu um estudo envolvendo mais de 4,2 milhões de pessoas, publicado no The Lancet Public Health.

Níveis elevados de atividade física foram associados a um risco 20% menor de demência por todas as causas ao longo de 10 anos, em comparação com o nível mais baixo de atividade física, relataram Natan Feter, PhD, da Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles, e seus colegas em uma revisão sistemática e metanálise.

Atividades de lazer, como caminhar, correr, nadar, andar de bicicleta ou praticar esportes, seguiram um padrão semelhante e foram associadas a um menor risco de demência. A atividade física doméstica também pareceu benéfica, mas as evidências provinham de um único estudo.

Em contrapartida, a atividade física ocupacional foi associada a um risco aumentado de demência, constataram Feter e os coautores. Além disso, o deslocamento ativo (como ir a pé ou de bicicleta para o trabalho) foi associado a um risco maior de demência, com base em dois estudos.

“As descobertas desafiam a suposição de longa data de que ‘todo movimento conta’ para a saúde do cérebro”, disse Feter em um comunicado.

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O estudo é o primeiro a examinar sistematicamente se o paradoxo da atividade física – a observação de que trabalhos fisicamente exigentes podem não proporcionar os mesmos benefícios à saúde que o exercício voluntário – se estende à demência, observaram os pesquisadores.

O exercício no tempo livre é frequentemente autodirigido e pode vir acompanhado de redução do estresse, afirmaram eles. Trabalhos fisicamente exigentes podem envolver mais estresse e exposição a ambientes de risco.

“A atividade física em si não se torna prejudicial simplesmente por ocorrer no trabalho. Em vez disso, a atividade física ocupacional está intimamente ligada a outras características que influenciam o risco de demência”, observaram Mika Kivimäki, PhD, e Mark Hamer, PhD, ambos da University College London, em um editorial que acompanhou a publicação do estudo. “Empregos que exigem alta atividade física são, com mais frequência, ocupações manuais exercidas por trabalhadores com menor nível de escolaridade, menos oportunidades de realizar trabalhos que estimulem a cognição, maior exposição a agentes neurotóxicos e maior prevalência de tabagismo e outros fatores de risco em comparação com funcionários em ocupações de colarinho branco”, escreveram Kivimäki e Hamer.

A atividade física recreativa pode favorecer a saúde cognitiva por meio de diversas vias, sugeriram os autores do editorial. “Muitas atividades de lazer envolvem interação social e tarefas que exigem esforço cognitivo, particularmente esportes coletivos e em dupla, que combinam atividade física e engajamento cognitivo. Tais atividades também poderiam reduzir o isolamento social na terceira idade, fator que, por si só, é um risco para o declínio cognitivo”, observaram.

“No entanto, metanálises de estudos observacionais sobre atividade física no lazer continuam sujeitas à causalidade reversa”, apontaram Kivimäki e Hamer. “Indivíduos classificados como fisicamente inativos, especialmente em estudos com períodos de acompanhamento relativamente curtos, podem já estar na fase pré-clínica da demência. O comprometimento cognitivo incipiente, a apatia e os distúrbios do ritmo circadiano podem reduzir a prática de atividades físicas no lazer muito antes de um diagnóstico clínico.”

Esses fatores não invalidam os efeitos benéficos da atividade física para a saúde cerebral, enfatizaram eles: “Pelo contrário, sugerem que a causalidade reversa pode ter superestimado a magnitude da associação protetora observada entre a atividade física no lazer e a demência”, escreveram.

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Confira a seguir o resumo do artigo publicado.

Níveis de atividade física por domínio e risco de demência: uma revisão sistemática e metanálise

As associações entre atividade física e diferentes desfechos de saúde variam de acordo com o domínio (por exemplo, lazer, ocupação, atividades domésticas ou deslocamento); no entanto, evidências comparáveis sobre o risco de demência permanecem escassas.

O objetivo do estudo, portanto, foi examinar as associações entre a atividade física por domínio e o risco de demência por todas as causas, doença de Alzheimer e demência vascular.

Nesta revisão sistemática e metanálise, realizou-se buscas sistemáticas nas bases de dados PubMed, CINAHL, Scopus, PsycINFO, SPORTDiscus e Web of Science por estudos de coorte e caso-controle publicados entre 1º de janeiro de 2021 e 2 de maio de 2026. Também foram incluídos estudos de uma revisão sistemática anterior (abrangendo desde o início das bases de dados até 21 de outubro de 2021) que utilizou a mesma estratégia de busca e critérios de elegibilidade.

Os estudos elegíveis incluíam adultos com 20 anos ou mais, com avaliação da função cognitiva na linha de base, medidas de atividade física e pelo menos um ano de acompanhamento. Os estudos foram avaliados por meio da plataforma web Rayyan, e os dados resumidos (risco relativo [RR] e IC de 95%) foram extraídos por até seis revisores independentes.

Os desfechos analisados foram demência por todas as causas, doença de Alzheimer e demência vascular, utilizando metanálises multinível de efeitos aleatórios. A qualidade dos estudos foi avaliada por meio de uma escala adaptada.

Dentre 6.270 registros identificados, 17 estudos foram elegíveis para inclusão. Somados aos 57 estudos da revisão sistemática anterior, foram incluídos 74 estudos totalizando 4.227.297 participantes (2.230.046 [52,8%] do sexo feminino e 1.997.251 [47,2%] do sexo masculino; mediana de idade de 67,3 anos [intervalo interquartil: 56,5-74,1]). Quarenta (54%) estudos apresentavam qualidade moderada ou alta, e 69 (93%) foram realizados em países de alta renda.

Em um acompanhamento com mediana de 10,0 anos (intervalo interquartil [IQR] 5,1-21,3), níveis elevados de atividade física associaram-se a riscos reduzidos de demência por todas as causas (n = 146 tamanhos de efeito; RR 0,80 [IC 95% 0,75-0,86]; = 97,4%), doença de Alzheimer (n = 59; 0,79 [0,70-0,90]; = 91,3%) e demência vascular (n = 21; 0,71 [0,58-0,87]; = 77,5%). No entanto, as associações variaram conforme o domínio.

A atividade física no lazer (k = 20 estudos; n = 33 tamanhos de efeito; RR 0,76 [IC 95% 0,65-0,88]; = 96,6%) e a atividade física nas tarefas domésticas (k = 1; 0,85 [0,74-0,98]) associaram-se a um risco reduzido de demência por todas as causas. Em contrapartida, a atividade física ocupacional (k = 5; 1,20 [1,01-1,42]; = 85,6%) e a relacionada ao deslocamento (k = 2; 1,10 [1,03-1,18]; = 0,0%) associaram-se a um risco aumentado.

As metanálises de dose-resposta demonstraram associações inversas não lineares para as atividades de lazer e ocupacionais. O grau de certeza das evidências variou de muito baixo a baixo entre os diferentes domínios.

O estudo concluiu que a associação entre atividade física e risco de demência pode ser específica de cada domínio. As estratégias de saúde pública para a prevenção da demência devem abordar o acesso equitativo a espaços seguros para a prática de exercícios, a disponibilidade de tempo adequado para o lazer e estratégias de mitigação de riscos em ambientes de trabalho.

Veja também sobre "Tipos de exercícios físicos", "Sedentarismo: quais as consequências" e "Envelhecimento cerebral normal ou patológico".

 

Fontes:
The Lancet Public Health, Vol. 11, Nº 9, em setembro de 2026.
MedPage Today, notícia publicada em 19 de agosto de 2026.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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