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Maior tempo de tela em crianças de 1 ano de idade foi associado a transtorno do espectro autista aos 3 anos de idade, mas apenas em meninos

quinta-feira, 17 de março de 2022
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Maior tempo de tela em crianças de 1 ano de idade foi associado a transtorno do espectro autista aos 3 anos de idade, mas apenas em meninos

A duração do tempo de tela em crianças de 1 ano de idade está associada ao transtorno do espectro autista aos 3 anos de idade?

Não está claro até que ponto a duração do tempo de tela na infância está associada ao diagnóstico subsequente de transtorno do espectro autista.

O objetivo deste estudo, publicado pelo JAMA Pediatrics, foi examinar a associação entre o tempo de tela na infância e o desenvolvimento do transtorno do espectro autista aos 3 anos de idade.

Saiba mais sobre "Transtornos do espectro autista", "Autismo" e "Manual de orientação da SBP: menos telas, mais saúde".

O estudo de coorte analisou dados de díades mãe-filho em uma grande coorte de nascimentos no Japão. Foram incluídas crianças nascidas de mulheres recrutadas entre janeiro de 2011 e março de 2014, e os dados foram analisados em dezembro de 2020. O estudo foi conduzido pelo Japan Environment and Children’s Study Group em colaboração com 15 centros regionais em todo o Japão.

A exposição do estudo foi o tempo de tela com 1 ano de idade.

A variável de desfecho, crianças diagnosticadas com transtorno do espectro autista aos 3 anos de idade, foi avaliada por meio de um questionário aplicado às mães das crianças participantes.

Foram analisadas 84.030 díades mãe-filho. A prevalência de crianças com transtorno do espectro autista aos 3 anos de idade foi de 392 por 100.000 (0,4%), e os meninos tiveram 3 vezes mais chances de serem diagnosticados com transtorno do espectro autista do que as meninas.

A análise de regressão logística mostrou que, entre os meninos, quando “sem uso de tela” foi a referência, os odds ratio ajustados foram os seguintes:

  • menos de 1 hora, odds ratio, 1,38 (IC 95%, 0,71-2,69; P = 0,35);
  • 1 hora a menos de 2 horas, odds ratio, 2,16 (IC 95%, 1,13-4,14; P = 0,02);
  • 2 horas a menos de 4 horas, odds ratio, 3,48 (IC 95%, 1,83-6,65; P <0,001);
  • e mais de 4 horas, odds ratio, 3,02 (IC 95%, 1,44-6,34; P = 0,04).

Entre as meninas, no entanto, não houve associação entre transtorno do espectro autista e tempo de tela.

O estudo concluiu que, entre os meninos, o maior tempo de tela ao 1 ano de idade foi significativamente associado ao transtorno do espectro autista aos 3 anos de idade. Com o rápido aumento no uso de dispositivos, é necessário revisar os efeitos do tempo de tela na saúde dos bebês e controlar o tempo excessivo de tela.

Recomenda-se, portanto, orientação sobre o tempo de tela apropriado na infância.

Veja sobre "Autismo: como reconhecer os sintomas precoces" e "Estereotipias - como elas são".

 

Fonte: JAMA Pediatrics, publicação em 31 de janeiro de 2022. (doi:10.1001/jamapediatrics.2021.5778)

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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