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Exposição a vírus foi associada à demência subsequente e a outras doenças neurodegenerativas

quarta-feira, 8 de março de 2023
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Exposição a vírus foi associada à demência subsequente e a outras doenças neurodegenerativas

Pelo menos 22 doenças virais foram associadas a um risco aumentado de doença neurodegenerativa subsequente, descobriram os pesquisadores do National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos.

Usando dados do Reino Unido e da Finlândia, Mike Nalls, PhD, do NIH Center for Alzheimer's and Related Dementias, e co-autores identificaram 45 exposições virais que estavam ligadas a um risco aumentado de demência ou outras doenças neurodegenerativas e replicaram 22 dessas associações.

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A maior associação de efeito foi entre a exposição à encefalite viral e a doença de Alzheimer, relataram os pesquisadores no estudo publicado na revista Neuron.

Depois que dados da pandemia de gripe de 1918 sugeriram que a influenza A H1N1 e o parkinsonismo pós-encefalítico podem estar ligados, os pesquisadores debateram possíveis relações entre vírus e doenças neurodegenerativas. Nos últimos anos, estudos relataram ligações entre herpesvírus e doença de Alzheimer e entre o vírus Epstein-Barr e a esclerose múltipla.

“Depois de ler o estudo do vírus Epstein-Barr, percebemos que durante anos os cientistas procuraram, uma por uma, ligações entre um distúrbio neurodegenerativo individual e um vírus específico”, disse Nalls em um comunicado.

“Foi quando decidimos tentar uma abordagem diferente, mais baseada em ciência de dados”, acrescentou. “Ao usar registros médicos, fomos capazes de pesquisar sistematicamente todas as ligações possíveis de uma só vez.”

Nalls e seus colegas avaliaram dados de séries temporais de cerca de 335.000 indivíduos em uma coorte de descoberta de pessoas que participaram do FinnGen, um biobanco finlandês nacional. Os pesquisadores procuraram diagnósticos de doença de Alzheimer, esclerose lateral amiotrófica, demência, esclerose múltipla, doença de Parkinson ou demência vascular e, em seguida, identificaram se os pacientes com esses diagnósticos tinham uma infecção viral anterior que levou à hospitalização. As hospitalizações por SARS-CoV-2 não foram incluídas no estudo.

Os pesquisadores destacaram alguns achados do estudo:

  • Foram identificados 45 pares de exposições virais associadas ao aumento do risco de doenças neurodegenerativas (DNDs).
  • 22 dos pares de exposições virais/DND foram replicados.
  • A associação de Epstein-Barr e esclerose múltipla relatada anteriormente foi replicada.
  • O acompanhamento mostra um risco significativamente elevado de DND anos após a exposição viral.

No artigo, eles relatam que, com descobertas recentes conectando o vírus Epstein-Barr a um risco aumentado de esclerose múltipla e crescentes preocupações sobre o impacto neurológico da pandemia de coronavírus, examinou-se então possíveis vínculos entre exposições virais e risco de doenças neurodegenerativas.

Usando dados de séries temporais do FinnGen para descoberta e dados transversais do UK Biobank para replicação, identificou-se 45 exposições virais significativamente associadas ao aumento do risco de doença neurodegenerativa, e replicou-se 22 dessas associações.

A maior associação de efeito foi entre a exposição à encefalite viral e a doença de Alzheimer. A gripe com pneumonia foi significativamente associada a cinco das seis doenças neurodegenerativas estudadas. Também foi replicada a associação Epstein-Barr/esclerose múltipla.

Algumas dessas exposições foram associadas a um risco aumentado de neurodegeneração até 15 anos após a infecção.

Como há vacinas atualmente disponíveis para alguns dos vírus associados, a vacinação pode ser uma forma de reduzir algum risco de doença neurodegenerativa.

Leia sobre "Encefalites", "Gripe suína" e "Vírus Epstein-Barr".

 

Fontes:
Neuron, publicação em 19 de janeiro de 2023.
MedPage Today, notícia publicada em 30 de janeiro de 2023.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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