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Exame de sangue pode prever resposta à imunoterapia no câncer de mama

quarta-feira, 3 de junho de 2026
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Exame de sangue pode prever resposta à imunoterapia no câncer de mama

Um novo biomarcador sanguíneo desenvolvido por imunologistas pode prever quais pacientes com certos tipos de câncer de mama têm maior probabilidade de responder à imunoterapia, tratamento que estimula respostas mediadas por células T e pode estar associado à redução dos tumores. As descobertas foram publicadas na revista Science Translational Medicine.

A imunoterapia tornou-se parte do tratamento de alguns cânceres de mama de alto risco em estágio inicial, mas nem todas as pacientes respondem de forma adequada, tornando necessários biomarcadores capazes de prever quem tem maior probabilidade de se beneficiar.

Agora, um estudo liderado por pesquisadores do Vanderbilt-Ingram Cancer Center descobriu que a coleta repetida de amostras de sangue – uma forma de biópsia líquida – pode avaliar e prever a evolução da resposta imune antitumoral à terapia.

Essa alternativa minimamente invasiva e de baixo custo em relação à biópsia tecidual oferece “uma ferramenta acessível para personalizar as estratégias de tratamento no câncer de mama”, relataram os pesquisadores.

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Os pesquisadores realizaram o sequenciamento de RNA em 546 amostras de sangue periférico de 160 pacientes com câncer de mama de alto risco, em estágios 2 ou 3, HER2-negativo, durante o tratamento com quimioterapia isolada ou em combinação com imunoterapia.

Embora testes de DNA livre de células já sejam usados como forma de biópsia líquida em diversas neoplasias, o estudo adotou uma abordagem diferente: em vez de analisar DNA tumoral circulante, os pesquisadores avaliaram o transcriptoma do sangue periférico, isto é, o conjunto de RNAs expressos pelas células sanguíneas, em busca de sinais de expansão clonal e ativação de células T antitumorais. Esse perfil transcricional foi capaz de prever a resposta ao medicamento imunoterápico pembrolizumabe.

As amostras analisadas vieram do ensaio clínico nacional I-SPY2, que avalia novas estratégias de tratamento para subgrupos de câncer de mama com base em suas características moleculares (assinaturas de biomarcadores). O Vanderbilt Health está entre os 42 locais participantes do estudo.

Embora ainda sejam necessários estudos adicionais para confirmar sua utilidade clínica, essa nova biópsia líquida tem o potencial de “orientar a tomada de decisões em imunoterapia, personalizar regimes de tratamento e promover avanços na oncologia de precisão, não apenas no câncer de mama, mas potencialmente também em outros tumores sólidos”, concluíram os pesquisadores.

Confira a seguir o resumo do artigo publicado.

Análise do perfil transcricional do sangue periférico prevê o subtipo tumoral e os resultados da quimioimunoterapia neoadjuvante no câncer de mama humano

Embora muitas tentativas tenham sido feitas para prever as respostas à imunoterapia, biomarcadores dinâmicos de resposta à terapia, cruciais para a oncologia de precisão, frequentemente dependem de amostras de tecido tumoral, que exigem coletas invasivas e nem sempre viáveis, ou de análises de DNA livre de células, que podem ser dispendiosas. Em contraste, o sangue periférico oferece uma janela minimamente invasiva e dinâmica para a evolução do panorama imunológico sistêmico.

Aproveitando essa vantagem, optou-se por usar o sequenciamento global de RNA em sangue periférico para definir se uma paciente com câncer de mama provavelmente responderia à imunoterapia e à quimioterapia.

Foi realizado o sequenciamento de RNA em 546 amostras de sangue periférico de 160 pacientes com câncer de mama HER2-negativo em estágio II/III de alto risco, tratadas com quimioterapia isolada ou em combinação com imunoterapia (quimioimunoterapia).

A análise revelou correlações imunológicas entre o subtipo tumoral e a resposta ao tratamento. Por exemplo, amostras de pacientes com câncer de mama triplo-negativo exibiram clonalidade elevada do receptor de células T e perfis robustos de ativação imunológica. Entre as pacientes que receberam quimioimunoterapia, aquelas com resposta precoce demonstraram alta diversidade basal do receptor de células T, seguida por rápida expansão clonal e ativação das células T após apenas um ciclo de tratamento.

A partir desses achados, desenvolveu-se um biomarcador imunológico periférico multiparamétrico que integra características basais e do início do tratamento para prever a resposta ao pembrolizumabe. Esse biomarcador foi validado com sucesso em uma coorte independente de 59 pacientes com câncer de mama tratadas com dostarlimabe neoadjuvante.

O biomarcador foi associado a marcadores de resposta de células T CD8 citotóxicas, sugerindo que essas células podem ser as efetoras responsáveis pela redução tumoral.

Esses achados revelam o potencial do monitoramento imunológico baseado em exames de sangue para prever o benefício da imunoterapia, oferecendo uma ferramenta acessível para o desenvolvimento de estratégias de tratamento personalizadas no câncer de mama. Sugerem ainda que abordagens semelhantes poderiam ser aplicadas a outros tipos de tumores.

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Fontes:
Science Translational Medicine, Vol. 18, Nº 846, em 22 de abril de 2026.
EurekAlert!, notícia publicada em 30 de abril de 2026.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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