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Estudo mostra que tratamento com testosterona pode prevenir ou reverter o diabetes tipo 2 em homens com sobrepeso ou obesos

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021
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Estudo mostra que tratamento com testosterona pode prevenir ou reverter o diabetes tipo 2 em homens com sobrepeso ou obesos

Homens com sobrepeso ou obesos frequentemente apresentam baixas concentrações de testosterona sérica, que estão associadas ao risco aumentado de diabetes tipo 2. O objetivo desse estudo, publicado pelo The Lancet Diabetes & Endocrinology, foi determinar se o tratamento com testosterona previne a progressão para, ou reverte, o diabetes tipo 2 precoce, além dos efeitos de um programa de estilo de vida baseado na comunidade.

O T4DM foi um estudo randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, de 2 anos, de fase 3b realizado em seis centros terciários australianos. Homens com idade entre 50-74 anos, com circunferência da cintura de 95 cm ou superior, concentração sérica de testosterona de 14,0 nmol/L ou inferior, mas sem hipogonadismo patológico, e tolerância à glicose diminuída (glicose de 2h do teste oral de tolerância à glicose [TOTG] 7,8-11,0 mmol/L) ou diabetes tipo 2 recém-diagnosticado (glicose de 2h do TOTG ≤15,0 mmol/L) foram inscritos em um programa de estilo de vida e aleatoriamente designados (1:1) para receber uma injeção intramuscular de undecanoato de testosterona (1000 mg) ou placebo no início do estudo, em 6 semanas e, a seguir, a cada 3 meses por 2 anos.

Saiba mais sobre "O uso da testosterona", "Intolerância à glicose" e "Distúrbios da testosterona".

A randomização foi feita centralmente, incluindo estratificação por centro, faixa etária, circunferência da cintura, glicose de 2h do TOTG, tabagismo e história familiar de primeiro grau de diabetes tipo 2.

Os desfechos primários em 2 anos foram diabetes tipo 2 (glicose de 2h do TOTG ≥11,1 mmol/L) e alteração média da linha de base na glicose de 2h do TOTG, avaliados por intenção de tratar. Para avaliação de segurança, foi feito um monitoramento mascarado do hematócrito e do antígeno prostático específico e analisou-se eventos adversos graves pré-especificados.

Entre 5 de fevereiro de 2013 e 27 de fevereiro de 2017, de 19.022 homens que foram pré-selecionados, 1.007 (5%) foram atribuídos aleatoriamente aos grupos de placebo (n = 503) e testosterona (n = 504).

Aos 2 anos, glicose de 2h de 11,1 mmol/L ou superior no TOTG foi relatada em 87 (21%) de 413 participantes com dados disponíveis no grupo de placebo e 55 (12%) de 443 participantes no grupo de testosterona (risco relativo 0,59, IC 95% 0,43 a 0,80; p = 0,0007).

A alteração média da linha de base na glicose de 2h foi −0,95 mmol/L (DP 2,78) no grupo de placebo e −1,70 mmol/L (DP 2,47) no grupo de testosterona (diferença média −0,75 mmol/L, −1,10 a −0,40; p <0,0001).

O efeito do tratamento foi independente da testosterona sérica basal. Um gatilho de segurança para hematócrito maior que 54% ocorreu em seis (1%) dos 484 participantes no grupo de placebo e 106 (22%) de 491 participantes no grupo de testosterona, e um gatilho para um aumento de 0,75 μg/mL ou mais no antígeno prostático específico ocorreu em 87 (19%) de 468 participantes no grupo de placebo e 109 (23%) de 480 participantes no grupo de testosterona.

Eventos adversos graves pré-especificados ocorreram em 37 (7,4%, IC 95% 5,4 a 10,0) de 503 pacientes no grupo de placebo e 55 (10,9%, 8,5 a 13,9) de 504 pacientes no grupo da testosterona. Houve duas mortes em cada grupo.

O estudo concluiu que o tratamento com testosterona por 2 anos reduziu a proporção de participantes com diabetes tipo 2 além dos efeitos de um programa de estilo de vida. Aumentos no hematócrito podem ser limitantes do tratamento. A durabilidade, a segurança e os efeitos cardiovasculares da intervenção em longo prazo ainda precisam ser investigados.

Leia também sobre "Modulação hormonal", "Diabetes Mellitus" e "Teste de tolerância à glicose".

 

Fonte: The Lancet Diabetes & Endocrinology, Vol. 9, Nº 1, em janeiro de 2021.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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