NewsMed

Estudo estima que, de 2000 a 2030, a vacinação contra os 10 principais patógenos terá evitado 69 milhões de mortes em países de baixa e média renda

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021
Avalie este artigo
Estudo estima que, de 2000 a 2030, a vacinação contra os 10 principais patógenos terá evitado 69 milhões de mortes em países de baixa e média renda

As últimas duas décadas viram a expansão dos programas de vacinação infantil em países de baixa e média renda (PBMRs). Nesse estudo de modelagem, publicado pelo The Lancet, quantificou-se o impacto desses programas na saúde, estimando as mortes e os anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs, do inglês disability-adjusted life-years) evitados pela vacinação contra dez patógenos em 98 PBMRs entre 2000 e 2030.

Saiba mais sobre "Vacinas - como funcionam" e "Calendário de Vacinação".

Dezesseis grupos de pesquisa independentes forneceram estimativas de carga de doenças baseadas em modelos em uma variedade de cenários de cobertura de vacinação para dez patógenos: vírus da hepatite B, Haemophilus influenzae tipo B, papilomavírus humano, encefalite japonesa, sarampo, Neisseria meningitidis sorogrupo A, Streptococcus pneumoniae, rotavírus, rubéola e febre amarela.

Usando dados demográficos padronizados e cobertura vacinal, o impacto dos programas de vacinação foi determinado comparando as estimativas do modelo de um cenário contrafactual sem vacinação com as de um cenário de vacinação relatado e projetado. Apresentou-se as mortes e DALYs evitados entre 2000 e 2030 por ano civil e por coorte de nascimentos anual.

Estima-se que a vacinação contra os dez patógenos selecionados terá evitado 69 milhões (intervalo de credibilidade de 95% 52–88) de mortes entre 2000 e 2030, das quais 37 milhões (30–48) foram evitadas entre 2000 e 2019. De 2000 a 2019, isso representa uma redução de 45% (36–58) nas mortes em comparação com o cenário contrafactual de nenhuma vacinação.

A maior parte desse impacto está concentrada na redução da mortalidade entre crianças menores de 5 anos (redução de 57% [52-66]), principalmente pelo sarampo.

Ao longo da vida das coortes de nascimento nascidas entre 2000 e 2030, prevê-se que 120 milhões (93-150) de mortes serão evitadas pela vacinação, das quais 58 milhões (39-76) são devidas à vacinação contra o sarampo e 38 milhões (25-52) são devidas à vacinação contra a hepatite B.

Estima-se que aumentos na cobertura vacinal e introduções de vacinas adicionais resultarão em uma redução de 72% (59–81) na mortalidade ao longo da vida na coorte de nascimentos de 2019.

O estudo mostrou que os aumentos na cobertura de vacinas e a introdução de novas vacinas nos países de baixa e média renda tiveram um grande impacto na redução da mortalidade. Prevê-se que esses ganhos de saúde pública aumentem nas próximas décadas se o progresso no aumento da cobertura for mantido.

Leia sobre "Mortalidade infantil no Brasil", "Por que vacinar" e "Vacina tríplice viral".

 

Fonte: The Lancet, publicação em 30 de janeiro de 2021.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários
Estudo estima que, de 2000 a 2030, a vacinação contra os 10 principais patógenos terá evitado 69 milhões de mortes em países de baixa e média renda | NewsMed