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Estudo confirma eficácia e segurança do ácido bempedoico entre pacientes com e sem diabetes

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024
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Estudo confirma eficácia e segurança do ácido bempedoico entre pacientes com e sem diabetes

As estatinas reduzem o colesterol LDL e os eventos cardiovasculares entre aqueles com ou sem diabetes, mas foi relatado que aumentam o diabetes de início recente. O ensaio CLEAR Outcomes demonstrou que o ácido bempedoico reduziu o risco de eventos cardiovasculares adversos maiores entre pacientes intolerantes a estatinas com alto risco cardiovascular.

Nesta análise pré-especificada, publicada no The Lancet Diabetes & Endocrinology, os objetivos duplos foram avaliar os benefícios cardiovasculares do ácido bempedoico, um inibidor da ATP citrato-liase, em indivíduos com diabetes, e avaliar o risco de diabetes de início recente e a HbA1c entre aqueles sem diabetes no ensaio clínico CLEAR Outcomes.

Leia sobre "Diabetes tipo 2", "Entendendo o colesterol do organismo" e "Doenças cardiovasculares".

O CLEAR Outcomes foi um ensaio randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, realizado em 1.250 centros de atendimento primário e ambulatorial em 32 países. Pacientes com ou sem doença cardiovascular que não quiseram ou não puderam tomar as doses de estatinas recomendadas pelas diretrizes e com um colesterol LDL de 2,59 mmol/L ou mais foram randomizados (1:1) de maneira duplo-cega para receber ácido bempedoico 180 mg uma vez ao dia ou placebo.

Nesta análise pré-especificada, o objetivo de eficácia foi uma análise do tempo até o evento de quatro componentes de evento cardiovascular adverso maior (ECAM-4), que é o composto de morte cardiovascular, infarto do miocárdio não fatal, acidente vascular cerebral não fatal ou revascularização coronariana, usando a população com intenção de tratar estratificada pelo estado de glicemia basal. A análise pré-especificada do risco de diabetes de início recente e aumento da HbA1c foi avaliada em pacientes sem diabetes no início do estudo. O ensaio foi concluído em 7 de novembro de 2022.

Entre 22 de dezembro de 2016 e 7 de novembro de 2022, 13.970 pacientes foram selecionados e distribuídos aleatoriamente; 6.373 (45,6%) com diabetes, 5.796 (41,5%) com pré-diabetes e 1.801 (12,9%) com normoglicemia.

Durante uma mediana de 3,4 anos de acompanhamento, os pacientes com diabetes tiveram reduções significativas do risco cardiovascular relativo e absoluto nos desfechos ECAM-4 com ácido bempedoico (HR 0,83; IC 95% 0,72-0,95; redução absoluta do risco de 2,4%) em comparação com o placebo, sem evidência estatística de modificação do efeito nos estratos glicêmicos (p para interação = 0,42).

A proporção de pacientes que desenvolveram diabetes de início recente foi semelhante entre os grupos de ácido bempedoico e placebo, com 429 de 3.848 (11,1%) com ácido bempedoico versus 433 de 3.749 (11,5%) com placebo (HR 0,95; IC 95% 0,83-1,09).

As concentrações de HbA1c no mês 12 e no final do estudo foram semelhantes entre os grupos randomizados em pacientes que tinham pré-diabetes e normoglicemia. As concentrações de colesterol LDL e a proteína C reativa de alta sensibilidade corrigidas por placebo aos 6 meses foram reduzidas em cada estrato glicêmico (diabetes, pré-diabetes e normoglicemia) para pacientes aleatoriamente designados para receber ácido bempedoico (todos p <0,001).

O estudo concluiu que, entre os pacientes com diabetes, o ácido bempedoico reduz o colesterol LDL e a proteína C reativa de alta sensibilidade e o risco de eventos cardiovasculares. Os pacientes sem diabetes não tiveram aumento de diabetes de início recente ou agravamento da HbA1c com ácido bempedoico.

A eficácia e o perfil de segurança cardiometabólica do ácido bempedoico o tornam uma opção clínica para pessoas com e sem diabetes.

Veja também sobre "Estatinas: prós e contras", "Complicações do diabetes" e "Dislipidemia - informações necessárias".

 

Fonte: The Lancet Diabetes & Endocrinology, Vol. 12, Nº 1, em janeiro de 2024.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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