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Efeito da fluoxetina sobre comportamentos obsessivo-compulsivos em crianças e adolescentes com transtornos do espectro autista

terça-feira, 5 de novembro de 2019
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Efeito da fluoxetina sobre comportamentos obsessivo-compulsivos em crianças e adolescentes com transtornos do espectro autista

A fluoxetina, em comparação com o placebo, reduz comportamentos obsessivo-compulsivos entre crianças e adolescentes com transtornos do espectro autista? Inibidores seletivos do receptor de serotonina são prescritos para reduzir a gravidade dos comportamentos centrais dos distúrbios do espectro autista, mas sua eficácia permanece incerta.

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Com o objetivo de determinar a eficácia da fluoxetina na redução da frequência e da gravidade de comportamentos obsessivo-compulsivos nos transtornos do espectro autista, foi realizado um ensaio clínico multicêntrico, randomizado e controlado por placebo, publicado pelo periódico JAMA. Participantes de 7,5 a 18 anos com transtorno do espectro autista e uma pontuação total de 6 ou mais na escala Children’s Yale-Brown Obsessive Compulsive Scale–Modified for Pervasive Developmental Disorders (CYBOCS-PDD) foram recrutados em 3 centros de saúde terciários na Austrália. As inscrições começaram em novembro de 2010 e terminaram em abril de 2017. O acompanhamento terminou em agosto de 2017.

Os participantes foram randomizados para receber fluoxetina (n=75) ou placebo (n=71). A medicação do estudo foi iniciada em 4 ou 8 mg/dia durante a primeira semana, dependendo do peso, e depois titulada para uma dose máxima de 20 ou 30 mg/dia durante 4 semanas. A duração do tratamento foi de 16 semanas.

O desfecho primário foi a pontuação total na CYBOCS-PDD (as pontuações variam de 0 a 20; pontuações mais altas indicam níveis mais altos de comportamentos desadaptativos; diferença clinicamente importante mínima, 2 pontos) nas 16 semanas após a randomização, analisadas de forma linear por modelo de regressão ajustado por fatores de estratificação (local, idade na linha de base e deficiência intelectual), com um modelo pré-especificado que incluiu ajuste adicional para pontuação da linha de base, sexo, nível de comunicação e variáveis de linha de base e demográficas desequilibradas.

Entre os 146 participantes randomizados (85% do sexo masculino; idade média de 11,2 anos), 109 completaram o estudo; 31 no grupo fluoxetina e 21 no grupo placebo desistiram ou não completaram o tratamento. O escore médio da CYBOCS-PDD da linha de base às 16 semanas de acompanhamento diminuiu no grupo da fluoxetina de 12,80 para 9,02 pontos (redução de 3,72 pontos; IC 95%, -4,85 a -2,60) e no grupo placebo de 13,13 para 10,89 pontos (redução de 2,53; IC 95%, -3,86 a -1,19).

A diferença média entre os grupos às 16 semanas foi de -2,01 (IC 95%, -3,77 a -0,25; P = 0,03) (ajustado por fatores de estratificação) e, no modelo pré-especificado com ajustes adicionais, foi de -1,17 (IC 95%, -3,01 a 0,67; P = 0,21).

Neste estudo preliminar de crianças e adolescentes com transtornos do espectro autista, o tratamento com fluoxetina em comparação ao placebo resultou em pontuações significativamente mais baixas para comportamentos obsessivo-compulsivos às 16 semanas. A interpretação é limitada pela alta taxa de abandono, achados nulos de análises pré-especificadas que foram responsáveis por fatores potenciais de confusão e desequilíbrios da linha de base e ICs pelo efeito do tratamento que incluiu a diferença clinicamente importante mínima.

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Fonte: JAMA Network, em 22/29 de outubro de 2019.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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