Dobrou a prevalência de osteoartrite do joelho desde meados do século 20

A osteoartrite do joelho (OA) é uma doença articular altamente incapacitante e altamente prevalente com causas ainda mal compreendidas, mas geralmente atribuídas ao envelhecimento e à obesidade.
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Para obter informações sobre a etiologia da osteoartrite do joelho, um estudo publicado pelo PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America), traçou tendências de longo prazo para a doença nos Estados Unidos, usando grandes amostras de esqueletos desde os tempos pré-históricos até o presente momento.
Foi mostrado que a osteoartrite do joelho existe em baixas frequências, mas desde meados do século 20, a doença dobrou em prevalência. Essas análises contradizem a visão de que o aumento recente da osteoartrite do joelho ocorreu simplesmente devido aos aumentos recentes da expectativa de vida e do índice de massa corporal (IMC) dos indivíduos. Ao invés disso, os resultados destacam a necessidade de se estudar fatores de risco adicionais, provavelmente evitáveis, e que se tornaram onipresentes no último meio século.
Os pesquisadores do Department of Human Evolutionary Biology, da Harvard University, Cambridge, analisaram as tendências de longo prazo na prevalência da OA do joelho nos Estados Unidos usando esqueletos derivados de cadáveres de pessoas com ≥50 anos, cujo IMC na morte foi documentado, e que viveram durante a era industrial inicial (1800 ao início dos anos 1900, n=1.581) e na era pós-industrial moderna (final dos anos de 1900 até o início dos anos 2000; n=819). A OA do joelho entre indivíduos estimados a terem ≥50 anos de idade também foi avaliada em esqueletos arqueologicamente derivados de caçadores-coletores pré-históricos e agricultores primitivos (6000-300 anos antes do tempo presente; n=176).
A OA foi diagnosticada com base na presença de desgaste (por contato osso-osso). No geral, a prevalência de OA do joelho foi de 16% entre a amostra pós-industrial, mas apenas 6% e 8% entre as eras industrial inicial e pré-histórica, respectivamente. Depois de controlar fatores como a idade, o IMC e outras variáveis, a prevalência de OA do joelho foi 2,1 vezes maior (intervalo de confiança de 95%, 1,5-3,1) na amostra pós-industrial do que na amostra industrial inicial.
Os resultados indicam que o aumento da longevidade e do IMC são insuficientes para explicar a duplicação aproximada da prevalência de OA do joelho que ocorreu nos Estados Unidos desde meados do século XX. A OA do joelho é, portanto, mais evitável do que é comumente assumido, mas a prevenção exigirá pesquisa sobre fatores de risco independentes adicionais que surgiram ou se tornaram amplificados na era pós-industrial.
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