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Câncer pode aumentar as chances de desenvolver a síndrome de Guillain-Barré

sexta-feira, 1 de abril de 2022
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Câncer pode aumentar as chances de desenvolver a síndrome de Guillain-Barré

Pessoas com certos tipos de câncer podem ter um risco aumentado de desenvolver a síndrome de Guillain-Barré (SGB), de acordo com um estudo populacional dinamarquês.

Ao longo de um período de 30 anos, 2% dos indivíduos com SGB também tiveram um diagnóstico recente de câncer, em comparação com 0,6% daqueles em um grupo de controle pareado, relataram Lotte Sahin Levison, MD, PhD, do Hospital Universitário de Aarhus, na Dinamarca, e colegas, no estudo publicado na revista Neurology.

A associação foi impulsionada em grande parte por aqueles com malignidades hematológicas, cânceres do trato respiratório, cânceres de próstata e de outros órgãos genitais masculinos e câncer de mama.

“Embora nosso estudo sugira que as pessoas com câncer têm um risco maior de desenvolver a síndrome de Guillain-Barré, é importante que as pessoas com câncer saibam que o risco geral de desenvolver Guillain-Barré ainda é muito pequeno”, disse Levison em um comunicado à imprensa.

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A SGB é uma polineuropatia desmielinizante adquirida que muitas vezes começa nas extremidades inferiores e ascende ao longo do tempo com perda de reflexos, causando fraqueza muscular ou, nos casos mais graves, paralisia. Alguns casos começam alguns dias ou semanas após uma infecção viral respiratória ou gastrointestinal. Muitas vezes, a SGB é reversível.

Levison e colegas observaram que, embora a maioria dos casos se desenvolva após uma infecção, muitos não, indicando que outros fatores de risco importantes desempenham um papel desencadeante.

No artigo publicado, os pesquisadores relatam que o câncer pode aumentar o risco de desenvolver síndrome de Guillain-Barré (SGB) devido ao mimetismo molecular ou imunossupressão, mas a relação exata não é clara. O objetivo, portanto, foi determinar a associação entre câncer incidente e o risco subsequente de desenvolvimento de SGB.

Foi realizado um estudo de caso-controle de base populacional nacional de todos os pacientes com SGB diagnosticada pela primeira vez em hospital na Dinamarca entre 1987 e 2016 e 10 controles populacionais pareados por idade, sexo e data de índice por caso.

Foram identificados diagnósticos de câncer incidente entre seis meses antes e dois meses após a data de índice da SGB. Usou-se regressão logística condicional para calcular odds ratios (ORs) como medida de risco relativo e realizou-se análises estratificadas para avaliar o impacto do câncer no risco de SGB em estratos de períodos-calendário, sexo e idade.

Nas análises de sensibilidade, para avaliar qualquer risco potencial de viés de sobrevivência induzido pela inclusão de diagnósticos de câncer potencialmente feitos após o diagnóstico de SGB, examinou-se os cânceres incidentes em uma janela de exposição mais ampla (um ano antes a três meses após a data de índice da SGB) e uma janela mais estreita (seis meses a um mês antes da data de índice da SGB).

Dos 2.414 pacientes com SGB e 23.909 controles incluídos, 49 casos (2,0%) e 138 controles (0,6%) tiveram diagnóstico recente de câncer, respectivamente, resultando em uma razão de chances (OR) de 3,6 (intervalo de confiança [IC] de 95%, 2,6-5,1) para SGB associada ao câncer.

A estratificação por tempo do calendário, sexo e idade mostrou resultados robustos para a associação entre câncer e SGB, sem grandes variações.

Ampliar e estreitar a janela de exposição produziu associações ligeiramente enfraquecidas de OR, 2,4 (IC 95%, 1,8-3,3) e OR, 2,5 (IC 95%, 1,5-4,1), respectivamente.

Os ORs da SGB foram maiores para cânceres do tecido linfático e hematopoiético (OR, 7,2; IC 95%, 2,9-18,0), do trato respiratório (OR, 5,6; IC 95%, 2,7-11,9), de próstata e outros órgãos genitais masculinos (OR, 5,0; IC 95%, 2,1-11,6) e câncer de mama (OR, 5,0; IC 95%, 1,7-14,5).

Neste grande estudo epidemiológico nacional realizado na Dinamarca, o câncer incidente foi associado a um risco marcadamente aumentado de desenvolvimento subsequente de Síndrome de Guillain-Barré. Os resultados sugerem que fatores ainda não identificados presentes em vários tipos de câncer impulsionam essa associação.

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Fontes:
Neurology, publicação em 02 de março de 2022.
MedPage Today, notícia publicada em 03 de março de 2022.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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