NewsMed

Câncer de endométrio e contraceptivos orais: meta-análise a partir de 36 estudos epidemiológicos

quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Avalie este artigo
Câncer de endométrio e contraceptivos orais: meta-análise a partir de 36 estudos epidemiológicos

O grupo Collaborative Group on Epidemiological Studies on Endometrial Cancer avaliou um conjunto de dados de mulheres com ou sem câncer de endométrio para avaliar a relação de tal patologia com o uso de contraceptivos orais.

Os contraceptivos orais são conhecidos por reduzir a taxa de incidência de câncer de endométrio, mas não é certo quanto tempo esse efeito dura após cessar o uso dessa medicação ou se ele é modificado por outros fatores.

Um conjunto de dados de participantes individuais foi avaliado por pesquisadores incluindo 27.276 mulheres com câncer endometrial (casos) e 115.743 sem câncer endometrial (controles) de 36 estudos epidemiológicos. Os riscos relativos (RR) de câncer de endométrio associados ao uso de contraceptivos orais foram estimados por meio de regressão logística e estratificados por estudo, idade, paridade, índice de massa corporal, tabagismo e uso de terapia hormonal na menopausa.

A idade média dos casos foi de 63 anos (IQR 57-68) e o ano mediano do diagnóstico do câncer foi 2001 (IQR 1994-2005). 9.459 (35%) de 27.276 casos e 45.625 (39%) de 115.743 controles nunca tinham usado contraceptivos orais, por duração média de 3,0 anos (IQR 1-7) e 4,4 anos (IQR 2-9), respectivamente. Quanto mais tempo as mulheres haviam usado anticoncepcionais orais, maior a redução no risco de câncer de endométrio; cada cinco anos de uso estava associado a uma relação de risco de 0,76 (IC 95% 0,73-0,78; p<0,0001). Esta redução no risco persistiu por mais de 30 anos após cessar o uso de contraceptivos orais, sem diminuição aparente entre os RRs para uso durante os anos 1960, 1970 e 1980, apesar de doses de estrogênio mais altas em comprimidos utilizados nos primeiros anos. Entretanto, a redução do risco associado ao fato de já ter utilizado contraceptivos orais alguma vez diferiu de acordo com o tipo de tumor, sendo mais forte para carcinomas do que para sarcomas. Em países de alta renda, 10 anos de uso de contraceptivos orais foi estimado para reduzir o risco absoluto de câncer endometrial originado antes da idade de 75 anos de 2,3 para 1,3 por 100 mulheres.

Os resultados mostram que o uso de contraceptivos orais confere proteção de longo prazo contra o câncer endometrial. Estes resultados sugerem que, nos países desenvolvidos, cerca de 400.000 casos de câncer endometrial antes da idade de 75 anos foram evitados ao longo dos últimos 50 anos (1965-2014) por contraceptivos orais, incluindo 200.000 na última década (2005-14).

Fonte: The Lancet Oncology, publicação online, de 4 de agosto de 2015

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários