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Camada de queratina das células cancerígenas as protege contra as células do sistema imunológico

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022
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Camada de queratina das células cancerígenas as protege contra as células do sistema imunológico

Algumas células cancerígenas se encobrem de uma malha de proteínas que afasta as células imunológicas – o que ajuda a explicar por que os tratamentos destinados a virar o sistema imunológico contra tumores podem falhar. Métodos para remover essa camada de queratina podem tornar as terapias imunológicas mais eficazes.

Em estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, pesquisadores exploram como os carcinomas montam um revestimento filamentoso de CXCL12–queratina-19 que suprime o ataque imunológico mediado por células T.

Leia sobre "Câncer: o que é" e "Imunoterapia".

Importância

Os carcinomas resistem à imunoterapia porque as células T estão ausentes dos ninhos de células cancerígenas. O sistema quimiocina/receptor de quimiocina, que regula a migração de células imunes, é um candidato para esse acúmulo intratumoral prejudicado de células T.

As células cancerosas em cânceres de pâncreas, colorretal e mama humanos são revestidas com a quimiocina CXCL12 na forma de heterodímeros covalentes com queratina-19. Este revestimento CXCL12 foi investigado usando um modelo de camundongo de câncer pancreático que replica as características imunológicas do câncer humano.

Células de câncer pancreático de camundongo sem o revestimento CXCL12 formaram tumores que não excluíram células T e responderam ao tratamento com anticorpos anti-PD-1.

Assim, a capacidade das células cancerosas de se revestirem com CXCL12 pode contribuir para a resistência à imunoterapia.

Resumo

A imunoterapia do câncer frequentemente falha porque a maioria dos carcinomas tem poucas células T, sugerindo que os cânceres podem suprimir a infiltração de células T. Neste estudo, mostrou-se que as células cancerígenas do adenocarcinoma ductal pancreático (ADP), do câncer colorretal e do câncer de mama humanos são revestidas com heterodímeros covalentes CXCL12-queratina-19 (KRT19) dependentes de transglutaminase-2 (TGM2) que são organizados como redes filamentosas.

Uma vez que uma forma dimérica de CXCL12 suprime a motilidade de células T humanas, determinou-se se este revestimento polimérico CXCL12–KRT19 mediava a exclusão de células T.

Tumores de camundongo contendo células de ADP de controle exibiram o revestimento CXCL12–KRT19, excluíram células T e não responderam ao tratamento com anticorpo anti-PD-1. Os tumores contendo células de ADP que não expressavam KRT19 ou TGM2 não tinham o revestimento CXCL12–KRT19, foram infiltrados com células T CD8+ ativadas e o crescimento foi suprimido com tratamento com anticorpo anti-PD-1.

Assim, os carcinomas montam um revestimento de CXCL12–KRT19 para evitar o ataque imunológico ao câncer.

Veja também sobre "Adenocarcinoma: o que é" e "Câncer - informações importantes".

 

Fontes:
Proceedings of the National Academy of Sciences, publicação em 25 de janeiro de 2022.
Nature, notícia publicada em 17 de janeiro de 2022.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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