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Bactérias intestinais podem influenciar a motivação para se exercitar

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023
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Bactérias intestinais podem influenciar a motivação para se exercitar

A motivação para o exercício pode vir do intestino, além do cérebro. Um estudo em camundongos descobriu que certas bactérias intestinais podem aumentar a liberação de dopamina durante a atividade física, o que ajuda a impulsionar a motivação.

Embora a maioria de nós saiba que o exercício traz muitos benefícios, o quanto as pessoas se exercitam varia muito. No novo estudo, publicado na revista Nature, pesquisadores buscaram identificar fatores fisiológicos que pudessem explicar essa variação.

O estudo mostrou que camundongos com bactérias intestinais depletadas gastam cerca de metade do tempo correndo voluntariamente em uma roda do que aqueles com microbiomas intactos. Além do mais, eles reduziram os níveis de dopamina em seus cérebros durante a atividade física, sugerindo que acharam o exercício menos gratificante.

Leia sobre "As relações entre intestino e cérebro", "Microbioma intestinal humano" e "Atividade física".

No artigo, os pesquisadores descrevem como uma via intestino-cérebro dependente do microbioma regula a motivação para o exercício.

Eles contextualizam que o exercício exerce uma ampla gama de efeitos benéficos para a fisiologia saudável. No entanto, os mecanismos que regulam a motivação de um indivíduo para praticar atividade física permanecem incompletos.

Um fator importante que estimula o envolvimento em exercícios competitivos e recreativos é o prazer motivador derivado da atividade física prolongada, que é desencadeado por alterações neuroquímicas induzidas pelo exercício no cérebro.

Neste estudo, relata-se a descoberta de uma conexão intestino-cérebro em camundongos que melhora o desempenho no exercício aumentando a sinalização de dopamina durante a atividade física.

Descobriu-se que a produção dependente de microbioma de metabólitos endocanabinoides no intestino estimula a atividade dos neurônios sensoriais que expressam TRPV1 e, assim, eleva os níveis de dopamina no corpo estriado ventral durante o exercício.

A estimulação dessa via melhora o desempenho na corrida, enquanto a depleção do microbioma, a inibição dos receptores endocanabinoides periféricos, a ablação de neurônios aferentes espinhais ou o bloqueio da dopamina anulam a capacidade de exercício.

Essas descobertas indicam que as propriedades recompensadoras do exercício são influenciadas por circuitos interoceptivos derivados do intestino e fornecem uma explicação dependente do microbioma para a variabilidade interindividual no desempenho no exercício.

O estudo também sugere que as moléculas interoceptomiméticas que estimulam a transmissão de sinais derivados do intestino para o cérebro podem aumentar a motivação para o exercício.

Veja também sobre "Bactérias do bem" e "Neurotransmissores - quais são e como agem".

 

Fontes:
Nature, publicação em 14 de dezembro de 2022.
New Scientist, notícia publicada em 14 de dezembro de 2022.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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