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Associação entre uso de múltiplas classes de antibióticos na primeira infância e doenças alérgicas na infância

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
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Associação entre uso de múltiplas classes de antibióticos na primeira infância e doenças alérgicas na infância

Antibióticos comumente prescritos em bebês foram associados a um risco maior das crianças desenvolverem doenças alérgicas, como asma e rinite alérgica, pesquisadores descobriram.

Bebês para os quais foram prescritos antibióticos penicilina, cefalosporina e macrolídeos apresentaram taxas mais altas de diagnóstico posterior de doença alérgica, relatou Sidney Zven, BSCE, da Uniformed Services University of the Health Sciences em Bethesda, Maryland, e colegas em uma carta de pesquisa publicada no periódico JAMA Pediatrics.

Saiba mais sobre "Usos e abusos dos antibióticos", "Alergias", "Asma" e "Rinite".

Os antibióticos afetam adversamente o microbioma "ao diminuir a diversidade bacteriana", observaram Zven e colegas, e isso tem sido associado a doenças alérgicas. A exposição a várias classes de antibióticos pode levar a perturbações ainda maiores no bioma intestinal do que uma classe isolada. O objetivo deste estudo foi determinar se a exposição a múltiplas classes de antibióticos na infância está associada a um maior risco de desenvolver doenças alérgicas na primeira infância. Para tanto, eles examinaram dados de cerca de 798.000 crianças com registro de nascimento no banco de dados do sistema militar de saúde de outubro de 2001 a setembro de 2013.

Os autores definiram a exposição como qualquer prescrição dispensada de penicilina, penicilina com inibidores da β-lactamase, cefalosporina, sulfonamida ou macrolídeos nos primeiros 6 meses de vida. Eles procuraram a presença de qualquer doença alérgica, como alergia alimentar, anafilaxia, asma, dermatite atópica, rinite alérgica, conjuntivite alérgica ou dermatite de contato.

No geral, os autores encontraram 162.605 prescrições de antibióticos. A penicilina foi de longe a mais comum (59,5% das prescrições), seguida pelos agentes macrolídeos e cefalosporinas (13,1% cada).

Mais de 80% das crianças não receberam antibióticos, enquanto 13% receberam uma classe de antibióticos e 2,5% duas classes. Menos de 1% recebeu três ou mais classes durante os primeiros 6 meses de vida.

Embora todas as classes de antibióticos tenham sido associadas a um aumento significativo do risco de doenças alérgicas, as de maior risco foram:

  • Penicilina (HR ajustada [aHR] 1,30, IC 95% 1,28-1,31)
  • Macrolídeos (aHR 1,28, IC 95% 1,26-1,30)
  • Penicilina com inibidor de β-lactamase (aHR 1,21, IC 95% 1,18-1,23)
  • Cefalosporina (aHR 1,19, IC 95% 1,17-1,21)

Além disso, as crianças para as quais foram prescritas uma classe adicional de antibiótico apresentaram riscos aumentados para doenças alérgicas, principalmente asma (aHR 1,47, IC 95% 1,45-1,49) e rinite alérgica (aHR 1,33, IC 95% 1,32-1,34).

Enquanto Zven e colegas observaram a "causalidade reversa potencial" como uma limitação potencial (ou seja, bebês mais suscetíveis ao desenvolvimento de doenças alérgicas também podem ser mais suscetíveis ao desenvolvimento de doenças bacterianas), eles concluíram que "a perturbação do microbioma pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de doenças alérgicas".

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Fonte: JAMA Pediatrics, publicação em 20 de dezembro de 2019.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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