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Análise de movimento de vídeo de smartphone pode detectar artérias estreitas do pescoço que podem levar a um acidente vascular cerebral

segunda-feira, 5 de setembro de 2022
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Análise de movimento de vídeo de smartphone pode detectar artérias estreitas do pescoço que podem levar a um acidente vascular cerebral

Vídeos gravados utilizando smartphone podem oferecer uma opção de triagem não invasiva para AVC, de acordo com um estudo publicado no Journal of the American Heart Association.

A análise de movimento de vídeo gravado em um smartphone detectou com precisão artérias estreitadas no pescoço, que são um fator de risco para acidente vascular cerebral.

Depósitos de gordura (placa) podem se acumular nas artérias, fazendo com que elas se estreitem (estenose). Artérias estreitadas na artéria carótida (no pescoço) podem causar um acidente vascular cerebral isquêmico, que ocorre quando um vaso que fornece sangue ao cérebro é obstruído por um coágulo. Quase 87% de todos os acidentes vasculares cerebrais são isquêmicos.

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“Entre 2% e 5% dos acidentes vasculares cerebrais a cada ano ocorrem em pessoas sem sintomas, portanto, é necessária uma detecção melhor e mais precoce do risco de acidente vascular cerebral”, disse o principal autor do estudo Hsien-Li Kao, MD, cardiologista intervencionista do National Taiwan University Hospital em Taipei, Taiwan.

“Este foi um momento ‘eureka’ emocionante para nós”, disse Kao. “Os métodos de diagnóstico existentes – ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética – exigem triagem com equipamentos e pessoal especializado em imagens médicas. A análise de vídeo gravado em um smartphone é não invasiva e fácil de realizar, portanto, pode oferecer uma oportunidade para aumentar a triagem. Embora sejam necessárias mais pesquisas e desenvolvimentos, as gravações e a análise de movimento podem ser implementadas remotamente, ou um aplicativo para download pode até ser viável”.

No artigo, os pesquisadores contextualizam que a estenose da artéria carótida (EAC) é uma causa comum de acidente vascular cerebral isquêmico, e a detecção precoce da EAC pode melhorar os resultados dos pacientes. A ultrassonografia com Doppler de carótidas é comumente usada para diagnosticar EAC. No entanto, é cara e pode não ser prática para a triagem regular de rotina.

As artérias do pescoço estão logo abaixo da superfície da pele e as mudanças na velocidade e no padrão do fluxo sanguíneo através delas são refletidas no movimento da pele sobrejacente, explicou Kao. No entanto, essas diferenças são muito sutis para serem detectadas a olho nu.

Este estudo, realizado entre 2016 e 2019, usou ampliação de movimento e análise de pixels para detectar as mudanças mínimas nas características do pulso na superfície da pele capturadas em uma gravação de vídeo feita com smartphone.

O artigo apresenta, portanto, uma nova técnica de detecção não invasiva e sem contato usando análise de movimento baseada em vídeo (AMV) para extrair informações úteis de pulsos sutis na superfície da pele para rastrear EAC.

Foram inscritos prospectivamente 202 pacientes com dados prévios de ultrassonografia com Doppler de carótidas. Um videoclipe curto de 30 segundos do pescoço foi feito usando um dispositivo móvel comercial e analisado por AMV com quantificação matemática da amplitude das mudanças de movimento da pele de maneira cega.

Os primeiros 40 sujeitos foram usados para configurar o protocolo de AMV e definir os valores de corte, e os 162 sujeitos seguintes foram usados para validação.

No geral, 54% dos 202 indivíduos tiveram EAC confirmada por ultrassonografia. Usando a análise da curva característica de operação do receptor, a área sob a curva dos valores de discrepância derivados da AMV para diferenciar pacientes com e sem EAC foi excelente (área sob a curva, 0,914 [IC 95%, 0,874-0,954]; P <0,01).

O melhor valor de corte dos valores de discrepância derivados da AMV para triagem de EAC foi de 5,1, com sensibilidade de 87% e especificidade de 87%. A precisão diagnóstica foi consistentemente alta em diferentes subgrupos de sujeitos.

O estudo concluiu que uma técnica de triagem simples e precisa para rastrear rapidamente estenose da artéria carótida usando um sistema de análise de movimento baseada em vídeo é viável, com sensibilidade e especificidade aceitáveis.

Veja também sobre "Doenças das artérias" e "Doppler: como é este exame".

 

Fontes:
Journal of the American Heart Association, publicação em 17 de agosto de 2022.
American Heart Association Newsroom, notícia publicada em 17 de agosto de 2022.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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