NewsMed

Análise de células cervicais obtidas a partir do exame Papanicolau pode identificar pessoas com alto risco de câncer de ovário

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022
Avalie este artigo
Análise de células cervicais obtidas a partir do exame Papanicolau pode identificar pessoas com alto risco de câncer de ovário

Uma análise de DNA de células cervicais retiradas de exames de esfregaço de rotina, conhecido como preventivo ou papanicolau, pode identificar pessoas que podem se beneficiar de exames adicionais para câncer de ovário. No futuro, esses padrões epigenéticos podem ajudar os médicos a prever quais indivíduos estão em alto risco de desenvolver a doença, para que possam ser rastreados com métodos mais sensíveis para detectar tumores precocemente.

Atualmente, 75% dos cânceres de ovário são detectados em um estágio tardio, quando o tumor se espalhou por todo o abdômen e as taxas de sobrevivência são baixas.

Martin Widschwendter, da Universidade de Innsbruck, na Áustria, e seus colegas desenvolveram um novo teste que pode identificar corretamente mais de 70% das pessoas com menos de 50 anos com câncer de ovário em vários estágios da doença e 55% das pessoas com mais de 50 anos. O estudo relatando as descobertas foi publicado na revista Nature Communications.

O método envolve olhar para as células do colo do útero. Em muitos países, já são oferecidos às pessoas exames de esfregaço regulares, nos quais uma pequena amostra de células é retirada do colo do útero, para procurar sinais que indiquem um alto risco de câncer do colo do útero.

Para avaliar a probabilidade de câncer de ovário, o novo teste procura por pequenas moléculas chamadas grupos metil que são marcadas em certas sequências de DNA, criando marcas epigenéticas.

Saiba mais sobre "Preventivo, Exame de Papanicolau ou Citologia Oncótica" e "Câncer de ovário: saiba mais sobre ele".

“As marcas epigenéticas registram os fatores ambientais que o indivíduo experimentou. Isso inclui eventos durante o desenvolvimento embrionário, mas também fatores de estilo de vida, como tabagismo e alterações hormonais”, diz Widschwendter. “Dessa forma, o teste fornece um método simples e de fácil acesso para avaliar muitos fatores de risco que contribuem para o risco de câncer de ovário”.

Os pesquisadores usaram aprendizado de máquina para analisar amostras de DNA de esfregaços cervicais de um grupo inicial de 242 pessoas com câncer e 869 pessoas saudáveis. Isso permitiu que eles identificassem uma assinatura única de marcas epigenéticas encontradas no DNA de pessoas com câncer de ovário, mas não de pessoas saudáveis. Eles então validaram sua abordagem em um segundo conjunto de dados coletados de 47 pessoas com câncer e 227 amostras saudáveis.

Em seguida, Widschwendter e sua equipe pretendem mostrar que esse teste pode prever o risco das pessoas desenvolverem câncer de ovário no futuro. A ideia é que, se o teste mostrar que alguém tem um alto risco de câncer de ovário, a pessoa pode ser rastreada com mais frequência usando exames de sangue sensíveis para a presença de câncer, diz Widschwendter. Se esses exames de sangue forem positivos e o câncer for confirmado, a pessoa pode passar por uma cirurgia para remover o tumor.

No entanto, todos os testes de rastreamento de câncer às vezes sinalizam cânceres incorretamente, o que pode resultar em pessoas submetidas a tratamentos desnecessários. O teste da equipe identificou erroneamente pessoas saudáveis como tendo câncer de ovário em 25% das vezes.

“Precisaremos desenvolver maneiras de comunicar os resultados do teste e garantir que as pessoas entendam o que isso significa”, diz Widschwendter.

No artigo publicado, os pesquisadores contextualizam que a grande maioria dos cânceres epiteliais de ovário surge de tecidos que são embriologicamente derivados do Ducto Mülleriano. No estudo, demonstrou-se que uma assinatura de metilação de DNA em células cervicais de fácil acesso derivadas do Ducto Mülleriano de mulheres com e sem câncer de ovário (ou seja, referidas como o índice de Identificação de Risco de Mulheres para Câncer de Ovário ou índice WID-OC) é capaz de identificar mulheres com câncer de ovário na ausência de DNA tumoral com uma AUC de 0,76 e mulheres com câncer de endométrio com uma AUC de 0,81.

Isso e a observação de que o índice WID-OC de célula cervical imita o programa epigenético daquelas células em risco de se tornarem cancerosas em portadores de mutação germinativa BRCA1/2 (ou seja, epitélio mamário, fímbrias da trompa de Falópio, próstata) sugerem ainda que a má programação epigenética de células cervicais é um indicador de predisposição ao câncer.

Este conceito tem o potencial de avançar o campo do rastreamento e prevenção do câncer estratificado por risco.

Leia sobre "Exames preventivos que toda mulher deve fazer" e "Marcadores tumorais: para que eles servem".

 

Fontes:
Nature Communications, publicação em 01 de fevereiro de 2022.
New Scientist, notícia publicada em 01 de fevereiro de 2022.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários
Análise de células cervicais obtidas a partir do exame Papanicolau pode identificar pessoas com alto risco de câncer de ovário | NewsMed