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Alterações cerebrais foram associadas a alimentos ultraprocessados, mesmo em dietas saudáveis

quinta-feira, 21 de maio de 2026
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Alterações cerebrais foram associadas a alimentos ultraprocessados, mesmo em dietas saudáveis

Uma análise de dados transversais na Austrália sugeriu que pessoas que incluíam mais alimentos ultraprocessados – como batatas chips, barras de chocolate, refeições congeladas, cereais açucarados ou refrigerantes – em uma dieta que, de outra forma, seria saudável, apresentavam piores resultados em testes de atenção e maior risco de demência.

Cada aumento de 10% na ingestão de alimentos ultraprocessados foi associado a uma diminuição de 0,05 ponto (IC 95% -0,09 a -0,01, p = 0,012) nos escores compostos de atenção entre adultos com 40 anos ou mais, relataram Barbara Cardoso, PhD, da Universidade Monash em Notting Hill, Austrália, e seus coautores, em estudo publicado na revista Alzheimer's & Dementia: Diagnosis, Assessment & Disease Monitoring.

Para cada aumento de 10% no consumo de alimentos ultraprocessados, o risco de demência aumentou em 0,24 pontos (IC 95% 0,16-0,32, P <0,001) na escala CAIDE modificada (Fatores de Risco Cardiovascular, Envelhecimento e Incidência de Demência), uma ferramenta criada para estimar o risco a longo prazo de uma pessoa de meia-idade desenvolver demência.

As relações persistiram mesmo em pessoas que seguiam uma dieta mediterrânea.

Um aumento de 10% na ingestão de alimentos ultraprocessados corresponde a aproximadamente 150 g/dia, o equivalente a um pacote padrão de batatas chips, observaram Cardoso e seus colegas.

“Para cada aumento de 10% no consumo de alimentos ultraprocessados, observamos uma queda distinta e mensurável na capacidade de concentração da pessoa”, disse Cardoso em um comunicado. “Em termos clínicos, isso se traduziu em pontuações consistentemente mais baixas em testes cognitivos padronizados que medem a atenção visual e a velocidade de processamento.”

Saiba mais sobre "Alimentos ultraprocessados: quais são os efeitos para a saúde", "O que é uma alimentação saudável" e "Prevenção do declínio cognitivo".

As descobertas indicam que o processamento de alimentos propriamente pode influenciar a saúde cognitiva além da simples substituição de nutrientes, observou ela. O ultraprocessamento de alimentos frequentemente destrói a estrutura natural dos alimentos e introduz substâncias potencialmente nocivas, ressaltou.

“Demonstramos que a associação entre alimentos ultraprocessados e atenção não está relacionada à qualidade da dieta, o que reforça a noção de que o processamento de alimentos, por si só, é um fator na associação entre dieta e saúde cognitiva”, disse Cardoso.

Neste estudo, os pesquisadores não encontraram nenhuma ligação significativa entre o consumo de alimentos ultraprocessados ​​e a memória. “Considerando que a atenção é fundamental para muitas operações cognitivas, como aprendizado, resolução de problemas e formação de memória, é plausível que distúrbios precoces de atenção possam preceder comprometimentos cognitivos mais amplos", escreveram. "No entanto, as evidências ainda são inconclusivas e mais pesquisas são necessárias para esclarecer a dinâmica temporal dessas associações.”

Pesquisas anteriores associaram alimentos ultraprocessados ao risco de demência, indicando que a substituição desses alimentos por alternativas não processadas ou minimamente processadas pode reduzir esse risco. Outros estudos mostraram que pessoas que consumiam mais alimentos ultraprocessados na meia-idade apresentavam taxas mais rápidas de declínio cognitivo.

Estima-se que, nos Estados Unidos, os alimentos ultraprocessados representem 60% da dieta da população. No Brasil, segundo pesquisas da USP, o consumo mais que dobrou desde os anos 1980, passando de 10% para 23%. Eles têm sido associados ao câncer de cólon precoce, mortalidade cardiovascular e por todas as causas, câncer de pulmão e outros desfechos adversos à saúde, mesmo em crianças pequenas.

Confira a seguir o resumo do artigo publicado por Cardoso e equipe.

Consumo de alimentos ultraprocessados, função cognitiva e risco de demência: um estudo transversal com adultos australianos de meia-idade e idosos

O consumo de alimentos ultraprocessados (AUP) está associado a mais de 30 desfechos adversos à saúde, incluindo diversos fatores de risco para demência, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e obesidade.

O objetivo deste estudo foi examinar a associação entre o consumo de AUP e o desempenho cognitivo e os escores de risco de demência, e se essas associações são independentes da qualidade geral da dieta.

Esta análise transversal avaliou 2.192 adultos australianos sem demência, com idades entre 40 e 70 anos. A dieta foi avaliada por meio de um questionário de frequência alimentar validado e classificada de acordo com o sistema Nova. A função cognitiva foi medida utilizando a Bateria Breve Cogstate e o risco de demência foi estimado com a ferramenta CAIDE.

Cada aumento de 10% no consumo de AUP foi associado a escores de atenção mais baixos (-0,05 pontos) e maior risco de demência (+0,24 pontos), independentemente da adesão à dieta mediterrânea.

O estudo concluiu que um maior consumo de alimentos ultraprocessados está associado a menor atenção e maior risco de demência modificável, independentemente da qualidade geral da dieta.

Leia sobre "O alarmante avanço do diabetes tipo 2 no Brasil", "10 mitos nutricionais que precisam ser abandonados" e "Envelhecimento cerebral normal ou patológico".

 

Fontes:
Alzheimer's & Dementia: Diagnosis, Assessment & Disease Monitoring, publicação em 23 de abril de 2026.
MedPage Today, notícia publicada em 01 de maio de 2026.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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