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Algumas terapias hormonais foram associadas ao câncer de mama de início precoce

terça-feira, 5 de agosto de 2025
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Algumas terapias hormonais foram associadas ao câncer de mama de início precoce

Embora o uso de terapia hormonal com estrogênio tenha sido inversamente associado ao câncer de mama de início precoce, a terapia hormonal com estrogênio/progesterona foi associada a uma maior incidência em certos subgrupos, de acordo com uma análise publicada no The Lancet Oncology.

Entre mais de 450.000 mulheres com idades entre 16 e 54 anos, a terapia hormonal de qualquer tipo não foi associada à incidência de câncer de mama de início precoce (HR 0,96, IC 95% 0,88-1,04), mas já ter feito o uso de terapia hormonal com estrogênio em algum momento apresentou uma associação inversa (HR 0,86, IC 95% 0,75-0,98), relataram Katie M. O'Brien, PhD, do Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental dos Estados Unidos, e colegas.

No entanto, o uso prolongado (>2 anos) da terapia hormonal com estrogênio/progesterona foi positivamente associado ao câncer de mama de início precoce (HR 1,18, IC 95% 1,01-1,38), assim como o uso entre mulheres sem histerectomia ou ooforectomia bilateral (HR 1,15, IC 95% 1,02-1,31).

A terapia hormonal com estrogênio/progesterona foi mais fortemente associada à doença com receptor de estrogênio negativo (HR 1,44, IC 95% 1,11-1,88) e à doença triplo-negativa (HR 1,50, IC 95% 1,02-2,20) em comparação com outros subtipos.

“Mulheres jovens podem usar a terapia hormonal para aliviar os sintomas de condições relacionadas a hormônios, menopausa ou cirurgia ginecológica, mas os riscos e benefícios de fazê-lo não foram completamente investigados”, escreveram O'Brien e colaboradores. “Em conjunto, os resultados desta investigação em larga escala, juntamente com os resultados em grande parte consistentes de estudos anteriores com mulheres na pós-menopausa, fornecem informações importantes que podem ser úteis para o estabelecimento de recomendações clínicas sobre o uso de terapia hormonal em mulheres jovens.”

Em um comunicado à imprensa, o co-autor Dale Sandler, PhD, também do Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental, observou que “essas descobertas reforçam a necessidade de aconselhamento médico personalizado ao considerar a terapia hormonal.”

“As mulheres e seus profissionais de saúde devem ponderar os benefícios do alívio dos sintomas em relação aos riscos potenciais associados à terapia hormonal, especialmente a TH-EP [terapia hormonal com estrogênio/progesterona]”, disse ele. “Para mulheres com útero e ovários intactos, o aumento do risco de câncer de mama com a TH-EP deve levar a uma reflexão cuidadosa.”

Leia sobre "Câncer de mama - o que é" e "Câncer de mama triplo negativo".

Em um comentário que acompanhou a publicação do estudo, Christelle Lévy, médica do Centro de Câncer Francois Baclesse, em Caen, França, escreveu que uma “estratégia única provavelmente não é a melhor abordagem”, considerando que mulheres jovens elegíveis para terapia hormonal frequentemente apresentam diversos perfis clínicos e biológicos.

“As recomendações para mulheres jovens devem considerar o conhecimento do perfil benefício-risco da terapia hormonal e as questões ainda não respondidas nesse domínio (como as características biológicas e genômicas das células cancerígenas em idade jovem ou o impacto de fatores endógenos e exógenos no início e na progressão neoplásica), enfatizando a importância de estudos prospectivos que realmente estão ausentes em comparação com a abundante literatura disponível para mulheres na pós-menopausa”, acrescentou.

O'Brien e colegas reconheceram que seu estudo tinha limitações, incluindo o fato de não terem conseguido ajustar o uso de álcool ou a atividade física, e não possuíam dados sobre BRCA1/2 ou outros genes conhecidos de predisposição ao câncer de mama. Além disso, observaram que seus resultados podem não ser generalizáveis para todos os grupos, visto que a amostra conjunta foi composta principalmente por mulheres brancas da América do Norte.

Confira a seguir o resumo do artigo publicado.

Uso de terapia hormonal e câncer de mama de início precoce: uma análise conjunta de coortes prospectivas incluídas no Grupo Colaborativo para Câncer de Mama na Pré-menopausa

A terapia hormonal com estrogênio e progesterona é um fator de risco estabelecido para câncer de mama em mulheres na pós-menopausa. Examinou-se a associação menos bem estudada entre hormônios exógenos e câncer de mama em mulheres jovens, que podem usar terapia hormonal após cirurgia ginecológica ou para aliviar os sintomas da perimenopausa.

Nesta análise de coorte conjunta, investigou-se a relação entre hormônios exógenos e câncer de mama em mulheres jovens, utilizando dados de 10 a 13 coortes prospectivas da América do Norte, Europa, Ásia e Austrália. As coortes participantes acompanharam mulheres para incidência de câncer de mama até os 55 anos de idade. Utilizou-se a regressão de riscos proporcionais de Cox, estratificada por coorte e ajustada por multivariáveis, para estimar as razões de risco (HRs) e o IC de 95% para associações de terapia hormonal com incidência de câncer de mama de início precoce. Também estimou-se as diferenças de risco com base no risco cumulativo até os 55 anos de idade.

Foram incluídas 459.476 mulheres com idades entre 16 e 54 anos (média de 42,0 anos [IQR 35,5-49,2]), das quais 8.455 (2%) desenvolveram câncer de mama de início precoce (diagnosticado antes dos 55 anos; mediana de acompanhamento de 7,8 anos [5,2-11,2]). No geral, 15% das participantes relataram uso de terapia hormonal, sendo a terapia hormonal combinada com estrogênio mais progesterona (6%) e a terapia hormonal com estrogênio isolado (5%) os tipos mais comuns.

O risco cumulativo de câncer de mama de início precoce foi de 4,1% entre as não usuárias. A terapia hormonal de qualquer tipo não foi associada à incidência de câncer de mama de início precoce (HR 0,96 [IC 95% 0,88 a 1,04]), mas já ter feito uso de terapia hormonal com estrogênio em algum momento foi inversamente associado (0,86 [0,75 a 0,98]; diferença de risco -0,5% [-1,0 a -0,0]).

A HR para terapia hormonal com estrogênio mais progesterona e câncer de mama de início precoce foi de 1,10 (0,98 a 1,24), com associações positivas observadas para uso a longo prazo (1,18 [1,01 a 1,38] para >2 anos) e uso entre mulheres sem histerectomia ou ooforectomia bilateral (1,15 [1,02 a 1,31]).

A associação entre terapia hormonal com estrogênio e câncer de mama de início precoce foi semelhante para todos os subtipos de câncer de mama, mas a terapia hormonal com estrogênio mais progesterona foi mais fortemente associada à doença com receptor de estrogênio negativo (1,44 [1,11 a 1,88]) e à doença triplo-negativa (1,50 [1,02 a 2,20]) do que com outros subtipos.

O estudo concluiu que o uso de terapia hormonal com estrogênio foi inversamente associado ao câncer de mama de início precoce, e a terapia hormonal com estrogênio mais progesterona foi associada a uma maior incidência de câncer de mama de início precoce entre mulheres com útero e ovários intactos.

Esses achados são amplamente semelhantes aos resultados de estudos sobre uso de hormônios e câncer de mama de início tardio e fornecem novas evidências para o estabelecimento de recomendações clínicas entre mulheres mais jovens.

Veja também: "O que saber sobre a Terapia de Reposição Hormonal" e "Menopausa".

 

Fontes:
The Lancet Oncology, Vol. 26, N° 7, em julho de 2025.
MedPage Today, notícia publicada em 01 de julho de 2025.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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