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A exposição neonatal a antibióticos prejudica o crescimento infantil durante os primeiros seis anos de vida ao perturbar a colonização microbiana intestinal

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021
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A exposição neonatal a antibióticos prejudica o crescimento infantil durante os primeiros seis anos de vida ao perturbar a colonização microbiana intestinal

Os recém-nascidos são altamente suscetíveis a infecções bacterianas invasivas, e a suspeita de infecção é um dos motivos mais comuns de admissão em uma unidade neonatal.

Acredita-se que a exposição a antibióticos nos primeiros dias de vida afete vários aspectos fisiológicos do desenvolvimento neonatal, de modo que recém-nascidos submetidos à terapia antibiótica exibem alegadamente composição alterada do microbioma intestinal durante as primeiras semanas de vida. Mas as consequências clínicas ou microbiológicas de longo prazo desta exposição permanecem desconhecidas.

Nesse estudo publicado pela revista Nature Communications, investigou-se o impacto a longo prazo do tratamento com antibióticos no período neonatal (dentro de duas semanas do nascimento) e na primeira infância em relação ao crescimento infantil em uma coorte de nascimentos não selecionada de 12.422 crianças nascidas a termo.

Leia sobre "O que são bactérias", "Usos e abusos dos antibióticos" e "Crescimento infantil - quanto cresce uma criança".

Foi encontrada atenuação significativa do ganho de peso e altura durante os primeiros 6 anos de vida após a exposição neonatal a antibióticos em meninos, mas não em meninas, após o ajuste para potenciais fatores de confusão.

Em contraste, o uso de antibióticos após o período neonatal, mas durante os primeiros 6 anos de vida, está associado a um índice de massa corporal significativamente mais alto durante o período de estudo em meninos e meninas.

A exposição neonatal a antibióticos está associada a diferenças significativas no microbioma intestinal, particularmente na diminuição da abundância e diversidade de Bifidobactérias fecais até os 2 anos de idade.

Finalmente, demonstrou-se que o transplante de microbiota fecal de crianças expostas a antibióticos para camundongos machos livres de germes, mas não fêmeas, resulta em prejuízo significativo do crescimento.

As bactérias no intestino são “um órgão esquecido”, diz o co-autor Omry Koren, da Universidade Bar-Ilan, em Israel. Eles ajudam a digerir nossa comida, treinar nosso sistema imunológico e nos proteger de bactérias estranhas nocivas.

“Quando usamos antibióticos para matar bactérias que podem causar doenças, inadvertidamente matamos outras bactérias boas também”, diz Samuli Rautava, um dos autores do estudo. Essa mudança no microbioma intestinal parece ser a causa do crescimento prejudicado em meninos após o uso de antibióticos.

Assim, concluiu-se que a exposição neonatal a antibióticos está associada a uma perturbação do microbioma intestinal de longo prazo e pode resultar em redução do crescimento em meninos durante os primeiros seis anos de vida, enquanto o uso de antibióticos mais tarde na infância está associado ao aumento do índice de massa corporal.

Veja também sobre "Microbioma intestinal humano", "Bactérias do bem", "A resistência aos antibióticos e as superbactérias" e "Transplante de fezes ou terapia bacteriana".

 

Fontes:
Nature Communications, publicação em 26 de janeiro de 2021.
New Scientist, notícia publicada em 26 de janeiro de 2021.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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